Apesar de Capim Grosso, onde meus pais vivem, ser uma cidade ótima, eu sempre tive vontade de ir embora de lá porque o mundo é muito grande e a vida é muito curta. Assim sendo, com mais interesse em conhecer pessoas e ter novas experiências do que propriamente estudar, aos doze anos sai de casa para morar, com minha irmã de 16 anos e minha tia de 20, no IAENE. Para quem não conhece, o Instituto Adventista de Ensino do Nordeste fica num povoado chamado Capoeiruçú, onde foi gravada a continuação do filme PIRATAS DO CARIBE 3 – NO FIM DO MUNDO.

Bem, quando minha irmã terminou o terceiro ano do ensino médio no final de 2001 e minha tia engravidou no meio do mesmo ano, só me restou a opção de voltar para Capim Grosso, coisa que eu não queria, então depois de muito pelejar continuei a estudar no IAENE morando desta vez com um trio de mulheres, das quais só conhecia apenas uma.

Tal situação não podia durar a vida toda, então em 2003, com 15 anos, fui morar sozinho. Num povoado onde não há nada para fazer e a maioria dos amigos são internos, tempo era coisa que eu tinha de sobra e precisava ocupar. Foi assim que comecei a escrever, meu primeiro livro feito de brincadeira era digno de ser queimado na fogueira, apesar das 100 folhas digitadas no word. Não parei mais, em média escrevi três livros por ano até 2007. Não publiquei nenhum devido a dificuldades editoriais, mas estão todos guardados e qualquer dia posso castigar o mundo com a minha escrita.

Discorri sobre tudo isso simplesmente para explicar o meu TCC no último ano da faculdade. Trata-se de uma autobiografia entitulada: O CÓDIGO DAS DEZ CASAS.

Capa do livro.
Vou explicar o titulo do livro: desde que sai da casa dos meus pais, de 2000 até 2008, morei em 10 casas diferentes, sem contas as três em que morei com a família, ao todo foram 13. Cada capitulo é referente a uma casa. E o termo código do titulo se deve ao fato de que muitos dos acontecimentos foram contatos em códigos, como por exemplo: nomes de pessoas em que tive que falar mal para que a história fizesse sentido.
O livro foi corrigido pela Doutora Silvia Quadros, atual coordenadora do curso de pedagogia do UNASP, campus 1, capão redondo. Também ficou sobre sua responsabilidade o texto da contracapa.
Apresentando o livro na semana de letras no UNASP, campus 2.
Para um livro de ficção normal, geralmente eu demorava de três a quatro meses para concluir, já o tempo gasto na minha autobiografia foi cerca de 9 meses, tudo isso porque é sempre mais difícil falar de si próprio, ainda mais tento que resumir. Afinal de contas o que é importante e o que é desnecessário na nossa vida? É preciso uma análise para descobrir.
Além de contar como criei o gosto de escrever, expus os bastidores das minhas peças teatrais, narrei minha conturbada vida amorosas, relembrei curiosidades como o fato de ser gordo até os quinze anos, elogiei meus amigos e critiquei as tranqueiras que sempre aparecem pra pertubar nossa paz.
Veja o titulo de cada capitulo:
Capitulo 1 – A CASA DA INGENUIDADE
Capitulo 2 – A CASA DA VISITA
Capitulo 3 – A CASA DAS ESTRANHAS
Capitulo 4 – A CASA DA SOLIDÃO
Capitulo 5 – A CASA DA SACADA
Capitulo 6 – A CASA DOS PECADOS
Capitulo 7 – A CASA DA TURMA
Capitulo 8 – A CASA DA DEPRESSÃO
Capitulo 9 – A CASA DA IRONIA
Capitulo 10 – A CASA DA CIDADE
Em 2001, na Casa da Visita.

Em 2004, Eu, Gilda e o elenco de PECADOS ESCABROSOS, minha primeira peça,
por causa dela o capitulo 6 se chama: A Casa dos Pecados.
O objetivo desse post é mostrar como o hobby de escrever me ajudou a se acostumar em morar sozinho e também de como foi vantajosa a prática da escrita para minha vida acadêmica e profissional. Como diria a música de Dany Carlos: “meu conhecimento é minha distração”. Assim sendo, deixo um conselho: não importa o que seja, mas escreva. E parafraseando alguém mais importante: “pior do que tá, não fica” by Tiririca.
Leia um trecho do livro:
…fui dormir, no meio da noite acordei para beber água, ao voltar para o quarto percebi uma claridade que vinha da janela, imaginei ser a luz da casa onde Bárbara morava, mas isto nunca havia me incomodado antes, então com a mente fértil que tenho, ainda de olhos fechados pensei que pudesse ser um ladrão subindo pela janela usando um capacete com lanterna acoplada, mas ao abri-los o que eu vi foi a cabeça enorme de um bode me encarando, cocei os olhos para ver melhor e lá continuava o bode, então me cobri e fiquei assim até adormecer. Realmente, eu precisava sair daquela casa.
Padrinho de casamento pela quarta vez, apesar de já ter sido convidado nove vezes.
Karina, eu, Alhandra (a noiva), Roberto (o noivo) e Ellen (meu par).


Categorias: Literatura

Deixe seu comentário

  1. renatoResponder

    Eu achei muito legal esse lançamento do livro “O Código das dez Casas.
    Eu acho muito importante a leitura porque eu acho que ela faz desenvolver o nosso conhecimento, também melhora a nosso vocabulário e o nosso jeito de escrever