Durante a maratona em assistir todos os filmes que concorrem ao Oscar 2011, por menos relevante que possa parecer, também vi Toy Story 3, não só por ser um dos indicados, mas também por uma certa curiosidade, afinal de contas, quando ainda criança havia visto as outras duas produções da franquia.

Embalado pela música: “Amigo, Estou Aqui”, comecei a lembrar da infância, dos amigos e de como tudo parece diferente depois que se cresce.

O filme fala um pouco desse tal verbo que implica muito mais do que a ação explícita semanticalmente. Crescer pode ser mudar, mas também pode ser agregar, conhecer, em outro casos, o crescer se torna embrutecer, regredir, afastar-se. Deixamos os brinquedos para trás, agregamos interesses, conhecemos coisas novas, nem tudo significa evolução. Estagnamos com o coração bruto depois de decepções, regredimos o modo libertário de pensar e muitas vezes a vida ou nós mesmos nos afastamos do que até então gostávamos.

Amigos distantes.

Crescer é complexo, obrigatório, necessário, mas entre trancos e barrancos vamos vivendo sem refletir muito, até que um probleminha aqui e outro ali nos faz parar, pensar, recordar… Vem a nostalgia. Ser saudosista não é a melhor característica para quem cresceu de forma pensante… Vem o misto de alegria e tristeza ao lembrar das brincadeiras no ensino fundamental, o primeiro beijo, as discurssões, momentos diversificados da vida que podem ser tanto positivos como negativos, porém que a esta altura pouco importa a classificação, o que conta é a saudade.

Momento é pretexto, do que sentimos realmente falta são das pessoas que fizeram aquele instante ser inesquecível. A risada nunca mais ouvida daquela amiga louca e criançona, os conselhos sábios daquela outra que semanalmente visita sua casa, as conversas codificadas dentro do carro, as piadas do amigo sem noção, a parceria talentosa no palco teatral… Vem o sorriso e às vezes lágrimas.

Tenta-se crescer sem deixar coisas para trás e isso explica o sucesso do Orkut, Facebook, Youtube. Mando um recado para Sica, vejo as fotos de Monique, cutuco Michele, teclo com Laécio… Vem o mantimento da amizade à distância. Cadê Alhandra? Vai buscar Daina. E pelo youtube, revemos Carrossel, Jaspion não morreu, nossa infância gravada, a garganta apertada.

Ninguém quer ficar só, quereremos viver, reviver e melhor ainda se for junto de você. Lembra daquela vez? Eu e você reclamando no dia dos namorados… Dançando, enganando a solidão. Felizes e não sabíamos. Saudade até dos momentos tristes, obliquos… Vem pra cá Ellen, sumiu Aparecida.

Agora amigos, não estou aqui, o pronome demonstrativo é outro, estou aí, junto de vocês. Estar perto não é físico. Estou tísico de saudade e não haverá idade para que deixe de lado o que sinto mesmo que ainda mais eu cresça, envelheça. É necessário que permaneça o que vou dizer: Amigo, estou aí!


Categorias: Crônicas

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