Espanha – Sevilla: Ciudad Maravillosa

Espanha – Sevilla: Ciudad Maravillosa

A primícia e a desculpa de ir para a Espanha era o fato de finalmente fazer um intercâmbio acadêmico. Já tinha em mente a escola onde estudaria, pois em meus momentos de ócio no Brasil ficava buscando estas coisas na internet, mesmo não acreditando muito que um dia conseguiria sair do país.

Estudo e Alojamento

Todas as escolas que havia pesquisado eram caras e o pagamento se dava semanalmente em euros, assim que escolhi a mais famosa, Enforex. Tanto esta como as demais também ofereciam alojamento aos estudantes, um oferecimento muito caro diga-se de passagem. As opções eram casa de família com quarto individual ou compartilhado, apartamento de estudantes, ou você mesmo procurava onde se alojar, fiquei com a última opção.

Como o meu objetivo era de fato morar por lá até quando desse, não havia sentido ficar em um dos caríssimos alojamentos que a escola oferecia, então comecei a buscar no google: “Alquiler de habitación en casa de família”. Para se ter um ideia, cada semana numa das casas que a escola oferecia em quarto individual saia por voltar de 135 euros sem direito à comida.

Como Deus é pai e não padrasto encontrei uma casa em pleno centro de Sevilla, apenas um quilômetro da escola por 300 euros ao mês com direito a café-da-manhã, almoço, janta, roupa lavada por semana, internet, água, luz, tudo incluso. Como se não bastasse, no meu quarto havia televisão, DVD, computador e uma estante com cerca de 400 livros.

Parque Maria Luisa.

Parecia bom demais para ser verdade, mesmo desconfiado, não podia mais continuar em Portugal, arrumei minha malas, peguei o ônibus e partir com mais cara do que coragem.

A Família do Intercâmbio

Lá estava eu com duas malas grandes, toquei o interfone, a mulher abriu e quando entrei no elevador pensei: e se for uma cilada, Bino? Não sei, poderia ser um bordel de trabalho escravo, ou uma gangue de traficantes de órgãos humanos. Apesar dos medos, não tinha como voltar atrás. E de mais a mais, havia conversado muito com a mulher por MSN e até por telefone.

Para a minha felicidade, foi ainda melhor do que pensei. A casa era linda, meu quarto um primor como diria minha vó. A dona da casa se chamava Victória, nos demos muito bem, apesar de algumas brigas de família. Brigávamos por besteira, ela parecia uma personagem de Pedro Almodóvar, era uma espanhola muito animada, alegre, tipicamente andaluz.

Na casa ainda morava o irmão dela, Julio, um arquiteto surdo-mudo, a mãe dela que estava em estado vegetativo há 14 anos e pelo dia se encontrava também Nice, a secretária boliviana viciada em novela latina. Falando assim, o quadro parece exótico, ainda mais contando comigo, um brasileiro doido.

Eu, Nice e Victória.

Vida Social

Logo no primeiro dia de aula fiz amizade com um indiano que morava no Canadá e que me apresentou outras muchachas, minha vida social em Sevilla foi a mais intensa que já tive. O povo espanhol é aberto feito baiano, os estrangeiros que lá estavam na escola eram pessoas cultas, simpáticas, percebi de cara que ia me dar bem.

De todos os lugares do mundo que já fui, o lugar que vi menos brasileiro foi no sul da Espanha. Conheci exatamente quatro pessoas. Duas moças turistas, Ticiana e Livia. E duas moças que realmente moravam lá.

concerto

Com os amigos em “La Cabonería”.

Devido a tão comentada e conhecida crise, os empregos eram escassos. Eu que queria entrar numa pós-graduação por lá e trabalhar como garçom, vi que não seria tão fácil, pois os restaurantes estavam fechando, outros demitindo, a crise estava forte. A própria Victória um dia olhando pela janela de sua sala comentou suspirando que era muito triste vê o barzinho da frente tão vazio, sendo que outrora era o point da movimentação.

Quem não tem cão caça com gato e quem não tem emprego aproveita a folga, foi o que fiz. Unindo a minha intensa vida social com a extensão quantidade de atrações da cidade, posso dizer que não deu para conhecer tudo de Sevilla mesmo tendo passando uma larga temporada. Em cada esquena um castelo. É impressionante como a capital da Andaluzia abriga tantos encantos.

Atrações

La Torre del Oro, La Giralda, La catedral (a maior catedral gótica do mundo e a terceira em geral), el puente en el Rio Guadalguivir, Plaza España, las calles cortas, la Alameda de Hércules, Casa de Pilatos, el Parque Maria Luisa, tudo imponente… Até o calor é imponente.

Como a região está bastante próxima do Marrocos, apenas duas horas, toda massa de ar quente se desloca para lá. Numa noite de sábado, sai da igreja às 21:50h, o sol ainda estava se pondo, mas o calor continuava de matar. Exatos 44º e tenho a foto ao lado para provar.

Morando em Sevilla me sentia como se cada dia fosse uma aventura. Devido ao grande calor, as pessoas jantam às dez da noite e só depois saem de casa. Muitas vezes voltava para casa às três e meia da madrugada e via gente alugando bicicletas na rua para poder pedalar e assim se refrescar um pouco.

Tourada

Para quem quer realmente conhecer a cultura da Espanha, aconselho a ir em Sevilla, pois lá as tradições continuam fortes. Touradas, flamenco, festas. E por falar em tourada, é claro que fui ver de perto este espetáculo que revolta algumas pessoas e agradam a outras. Na Plaza de Toros, onde inclusive se filmou o primeiro capitulo da minissérie “Os Maias”. Pude constatar que é de fato cruel com o animal, porém seria hipocrisia da minha parte dizer que não achei bonito. Não quero entrar em questões ideológicas fazendo apologia do que é certo e do que é errado, contarei de forma imparcial como é uma tourada.

Aí estou eu na Plaza de Toros, preto de tanto sol esperando juntamente com alguns amigos o começo.
 Primeiro entram esses cavalos para dar uma desfilada e anunciar os toureiros.
Os toureiros se apresentam…
Olé pra cá, olé pra lá….
…Para deixar o touro mais irritado ou mais cansado, o toureiro enfia estas lanças nas costas do animal. Volta a fazer o olé e depois enfia mais duas lanças, ao total são seis.
Com as seis lanças nas costas e sangrando, o touro fica de frente com o toureiro para receber o golpe final. Enfia-lhe uma espada na cabeça.
Após agonizar e morrer, dois cavalos surgem puxando o touro pelos chifres e o tiram da arena para começar outra batalha. Ao total, foram seis touros mortos.

Flamengo de Graça

Quando se vive um certo tempo em Sevilla, consegue-se entender melhor o porque desta cultura. Os andaluces são muito passionais. Tudo é forte: o sotaque, o andar, o humor, os cumprimentos, a dança. Ahhh, a dança. O que dizer do flamenco? Há um bar chamado La Carboneria em que eu e meus amigos fazíamos a festa, pois além de não pagar para entrar, a comida era muito barata e o show de flamenco era de graça.

Inesquecível ver essa mulher dançando de perto. Ela pode não ser bonita, mas dança que é uma beleza.

Tenho tantas fotos desse lugar e tantas lembranças que seria impossível colocar tudo neste post. Mas alguns momentos merecem destaque. Como minha conversa sobre diáspora com Harman e Malsore no Rio Guadalguivir.

Naquele dia sentado à beira do Rio conversando com duas pessoas cultas que não falavam nada em português, fez-me senti que qualquer pessoa é capaz de tudo, afinal de contas nem nos meus sonhos mais loucos me imaginei numa situação dessa. Eu, do interior do sertão, conversando de igual para igual sobre um assunto tão complicado e ainda mais em outro idioma. Tudo é possível.

Rio Guadalquivir – Cada um de um país.

La Giralda e a Catedral.

Em suma, de fato achei Sevilla um lugar maravilhoso para morar e até teria tentado ficar por lá mais tempo se não fosse a proposta de trabalho do Brasil que surgiu justamente quando lá estava, até nisso a cidade me deu sorte.

Termino o post sem dizer e nem mostrar a metade dos pontos turístico, mas espero ter esclarecido algumas dúvidas de quem pensa em morar por lá ou simplesmente passar uma temporada. As coisas por lá são muito mais baratas que em Madrid e Barcelona, e igualmente lindas, então para quem está sem saber para onde ir na Espanha, não perca tempo. Sevilla é encantadora, histórica, visceral e assim como o Rio de Janeiro, lá também faz quarenta graus. Até rimou.

Para quem quer ver um pouco mais, indico o filme “Encontro Explosivo”, com Tom Cruise e Camaron Diaz, pois foi gravado lá, cheguei uma semana depois das gravações.

Pôster que ganhei de aniversário da minha vizinha Sue-Ellen sobre meu tempo em Sevilla.
Quando estava por lá, gravei um video na Igreja Adventista de Sevilla. Na primeira parte, uma sevillana conta um breve testemunho e na segunda, um grupo de africanos especialmente convidados cantam uma música em português.

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3 Responses to Espanha – Sevilla: Ciudad Maravillosa

  1. JapStudies says:

    Olá,
    Parabens pelo post no Blog! 
    Hoje em,dia qualquer dica, ajuda para quem quer morar for a ou fazer intercâmbio é válida. Visite o site da nossa agência de intercâmbio com base em Brighton na Inglaterra JapStudies.com (Juniors, Adults & Professionals Studies). Como nosso serviço é em sua maioria online os custos são muito mais baratos do que se comparado com as empresas no Brasil e você pagará seu curso diretamente para a escola através de uma transferência bancária internacional com a cotação do Banco Central.
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  2. maily almeida says:

    Boa tarde,
    Fiquei interessada na casa de familia em que voce se hospedou.
    Poderia passar o contato?

    • Oi, Mairly. Vou falar com ela se posso te passar o contato, porque depois da morte da mãe dela, eu não tenho certeza se ela passa mais tempo em Sevilla ou em Málaga, onde tem outra casa.

      Assim que tiver a resposta, te passo. Abraço.

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