Agora é oficial. Os indicados ao Oscar 2012 foram divulgados nesta manhã (24/01) e trouxe algumas surpresas, a maioria bastante agradável. Cavalo de Guerra, de Steven Spielberg, como já era de se esperar, está na dispusta, inclusive na categoria de Melhor Filme, porém das seis estatuetas que disputa, cinco são na parte técnica, o que explica muita coisa.

Cartáz do filme.

Para quem gosta de cavalo, não há dúvida que o filme irá emocionar. Além do mais, as imagens do alazão caminhando contra a luz do sol são um primor. Spielberg é um diretor perfeccionista. Ele sabe escolher os melhores quadros, a fotografia mais bonita, o som mais impactante, a trilha sonora mais emocionante. Em Cavalo de Guerra, tudo isto está perfeito, mas Steven erra a mão na profundidade do material e deixar o filme quase tão infantil quanto o antigo desenho Cavalo de Fogo que passava nas manhãs do SBT.

O filme conta a história de amizade entre um jovem fazendeiro e seu cavalo de estimação que são separados pela Primeira Guerra Mundial quando o pai do garoto vende o cavalo para o exército britânico. Foi a última guerra que teve cavalaria.

O cinema possui diversos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, porém o material referente à primeira não é tão extenso. Tendo como fio condutor a amizade entre homem e animal, o filme poderia documentar a guerra de maneira séria aproveitando a narrativa ficcional, porém a luta entre os alemães e os ingleses se transforma em um mero obstáculos entre o reencontro do cavalo e o seu dono.

O primeiro ato do filme é totalmente jocoso e tem ar de fábula, o que não condiz com um filme que tem como pano de fundo uma guerra. Talvez se fosse outro diretor esta discrepância fosse melhor simulada, porém se tratando do criador do clássico A Lista de Schindler, questiona-se o que raios está acontecendo.

As batalhas são bem feitas, destaque para a edição e a mixagem de som, na verdade, estes são os únicos responsáveis pela tensão durante as cenas de ação, já que sangue não é visto nenhum. Enquanto que na Lista de Schindler e no Resgate do Soldado Ryan, as mortes eram em escala industrial e sem floreios, Steven poupa o espectador de qualquer violência e quando alguém precisa morrer em Cavalo de Fogo, ele inventa um plano bonito para ocultar o feio da morte.

Das seis categorias, duas é quase impossível que ganhe: Melhor Filme e Melhor Direção de Arte. Não é possível sequer entender como a direção de arte chegou a ser indicada, pois a impressão que se tem é que usaram os mesmos objetos dos filmes de Tim Burton. Despautério maior seria se fosse indicado a Melhor Figurino, campo onde o exagero predomina.

A atuação do protagonista também deixa muito a desejar. Parece um modelo tirado de um catálago francês e fantasiado com traje de época. O cavalo, nas cenas em que não é feito por computação gráfica, interpreta melhor que o ator. Outro desmérito é a rapidez com que as pessoas se afeiçoam ao animal, tudo bem que ele é realmente lindo, mas haja amor à primeira vista num único filme.  E para terminar, o erro mais infantil de todos: alemães falando perfeitamente inglês mesmo quando não há nenhum britânico próximo.

Como entretenimento funciona, mas para aqueles que imaginavam uma versão no mínimo proveitosa da Primeira Guerra, o desapontamento é grande. Steven não passa da esfera da narrativa infanto-juvenil.


Categorias: Cinema, Oscar

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