Com apenas seis filmes no curriculum, Terrence Malick é um diretor recluso, misterioso e esta fama de inatingível o faz parecer mítico, quase que divino. Como produz pouco, qualquer produção sua chama bastante atenção do meio cinematográfico e somente esta esfera mitológica para explicar o porquê de tanto interesse no seu último filme, A Árvore da Vida, que concorre ao Oscar em  três categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. A obra merece esta última indicação, a fotografia é no mínimo magistral, porém para explicar as outras duas indicações somente recorrendo novamente à teoria do mito.

A Árvore da Vida conta com um elenco bárbaro pouco usado, uma ação dramática sem consistência e personagens puramente representativos. Todo o filme se sustenta no pedantismo do diretor, como se ele quisesse mostrar o quanto é capaz, complexo, inovador, inteligente… Depois de tantas qualidades técnicas, mensagens profundamente subjetivas e sequências tediosas, não se sabe se o que foi visto é algo incrivelmente genial, ou terrivelmente ruim. Na dúvida, o saldo é negativo.

O filme não conta a história de ninguém, ele tem simplesmente a prepotência de retratar a vida no universo. Desde a explosão do Big Bang até o dia da morte de alguém, que no caso poderia ser qualquer um de nós.

Brad Pitt é um severo pai de família que perde um dos filhos, a partir de então a família segue o seu curso sem nada de imprevisível, excerto os já conhecidos percalços da vida. Seria incorreto dizer que esta é uma sinopse, pois não há enredo no que concerne um , o que se tem é uma dramatização do nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer.

Quando Euclides da Cunha publicou o difícil livro Os Sertões, ele foi considerado pedante, devido sua escrita rebuscada cheia de termos científicos, geográficos e filosóficos. Anos depois, principalmente após sua trágica morte, ele ganhou status de herói literário, pioneiro…

O mesmo poderia acontecer com Terrence e seu filme cheio de leituras, sentidos e dimensionalidade, porém há uma diferença básica nos gêneros. A desvantagem de Malick frente a Euclides é uma só: cinema é diferente de literatura. Enquanto um livro pode permanecer na estante até o leitor estar preparado para aquela leitura, o mesmo não acontece com um filme que tem vida curta na telona.

Existe DVD, Blue-ray, mas o som e a imagem de uma TV por melhor que seja não se compara ao de uma sala de cinema, local para o qual “A Árvore da Vida” foi concebido. Assim sendo, caso o espectador não esteja no clima existencial e emocional  necessário no momento de sua sessão, provavelmente não terá outra oportunidade de ter a experiência arrebatadora que o diretor pedante propõe.


Categorias: Cinema, Oscar

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