Neste ano, a categoria de Melhor Atriz é dividida da seguinte maneira: a veterana, a injustiçada, as novatas e a simpática.

Michelle Williams se mostrou uma promessa desde sua participação no seriado Dawson’s Creek, série na qual sempre manteve uma atuação madura. Ganhou os holofotes de vez ao ser indicada como Atriz Coadjuvante por O Segredo de BrookeBack Mountain, depois como Melhor Atriz por Blue Valentine e outra vez concorre por Sete Dias com Marilyn. Tanta indicações em tão pouco tempo a torna um prodígio, porém Michelle tem concorrentes de peso.

Rooney Mara impressionou em Os Homens que Não Amavam as Mulheres, porém deve correr por fora.

Viola Davis foi indicada a Melhor Atriz Coadjuvante em 2009 pelo filme Dúvida e neste ano disputa a Melhor Atriz por Histórias Cruzadas, apesar de ter um bom desempenho e o seu filme ser o campeão de bilheteria da disputa, o que conta muito ao seu favor, seria muito discrepante ela ganhar de Meryl ou de Gleen.

A disputa realmente se concentra entre Meryl Streep por A Dama de Ferro e Gleen Close por Albert Nobbs, caso fosse levado em conta unica e exclusivamente a atuação, Streep levaria seu terceiro careca dourado, porém como o Oscar tem a mania de reaver suas injustiças, Close após receber cinco indicações e nenhum prêmio, torna-se a preferida.

A Dama de Ferro conta a história da Primeira-Ministra da Inglaterra, Margaret Tacher que foi odiada por toda Grã-Bretânia na década de 80. Para narrar a biografia de uma figura considerada antipática, os roteiristas trataram de humanizá-la e fizeram muito bem. O fio que conduz aos episódios vividos é o Alzaimer da velhice.

A maquiagem lembra o efeito satisfatório do filme Piaf e a atuação de Meryl também não fica aquém, pode ser comparada sem desprestigio com a bárbara interpretação de Marion Cortillad. Nas primeiras cenas, o espectador chega a ter dúvidas se aquela mulher de pele enrugada e meio corcunda é mesmo a Meryl.

É verdade que boa parte da obra é sustentada pelo talento surpreendente da atriz, porém a diretora também é feliz ao mesclar imagens de arquivo ao ficcional.

Em Albert Nobbs o conjunto da obra leva vantagem. A direção de arte é um primor, todos os atores estão bem e a história de uma mulher que se passa por homem na fálida Irlanda do século 19 é interessantíssima. Além do tema proposto, a linha dramática é muito bem executada. Pela primeira vez, a atriz Mia Wasikowska deixa de lado sua languidez insossa e incorpora a personagem.

Gleen Close trabalha com as nuances e convence tentando se passar por homem. Obviamente, a maquiagem a ajuda e muito nesta missão, mas há que destacar sua técnica. Ela se presta à narrativa e em momento algum tenta atraiar mais do que necessário a atenção para o seu trabalho, não é uma atriz clamando por um Oscar, o que  se vê é uma atriz priorizando o rumo da história.

Albert Nobbs além de concorrer a Melhor Atriz e a Melhor Maquiagem, tal qual A Dama de Ferro, ele está em mais uma categoria: Melhor Atriz Coadjuvante. A atriz Janet McTeer também vive uma mulher que se passa por homem e seu desempenho é muito inferior o de Gleen.

Mesmo considerando a interpretação de Meryl Streep mais avassaladora, o Oscar estará em boas mãos se dado a Close que por enquanto não tem nenhum e merece , sem contar que ela produziu e fez parte do roteiro mostrando total domínio sobre o material que tinha em mãos.

As duas atrizes são geniais e os dois filmes são brilhantes, cada um no seu estilo.


Categorias: Cinema, Oscar

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