A Academy Awards Oscar adora um filme de metalinguagem, principalmente se este vem em forma de homangem a algum cineasta célebre dos anais do cinema. É exatamente isto que acontece com A Invenção de Hugo Cabret, do aclamado Martin Scorsese. A obra infato-juvenil é a vencedora em indicações, onze ao total, incluindo Melhor Filme e Roteiro Adaptado. Diante tantas categorias, é possível que seja agraciado com quatro ou cinco estatuetas, porém o que realmente o filme merece são onze troféus no Framboesa de Ouro (Razzie Awards).

Scorcese faz um apanhado de referências cinematográficas para contar a história sem sal e muito menos açúcar do menino Hugo. Orfão de pai e mãe, ele é levado pelo tio bêbado para viver em uma estação de trem em Paris. Obcecado para consertar um robô que desenha, Hugo rouba peças mecânicas na estação até que o dono de uma loja de brinquedos chamado Meillés (Ben Kingsley), um velho aparentemente rabugento, flagra-o furtando e lhe tira o caderno com as anotações de como consertar o tal robô.

Fazendo amizade com a neta deste homem, Hugo e ela se aventuram para terminar o invento e nesta tragetória descobrem o passado de Meillès.

Com uma fotografia de Moulin Rouge, uma direção de arte à la Tim Burton e sutis semelhanças ao ótimo Desventuras em Série, A Invenção de Hugo Cabret se perde e não consegue passar de uma homenagem cansativa ao mundo do cinema. Em determinados momentos, a linha narrativa, se é que se pode chamá-la assim, interrompe-se para dar lugar a uma entediosa aula sobre o início da História Cinematográfica. Com iniciais maiúsculas mesmo.

O que Martin tenta fazer é mesclar aventura juvenil e fatos históricos para transmitir a mensagem de que a magia do cinema é importante, mais do que mensagem, ele quer estimular às crianças a produzir audiovisual. A intenção foi boa, a técnica é primorosa, principalmente se o filme for visto em 3D, porém haja paciência para engolir as duas horas incoerentes de Hugo.

Asa Butterfiel que interpreta Hugo, é um menino bastante talentoso, já comoveu a muitos no papel de Bruno em O Menino do Pijama Listrado. Desta vez o máximo que ele consegue é aborrecer. Óbvio que não é culpa sua e sim do roteiro arrastado que o coloca chorando sem uma justificativa deveras consistente. Há um motivo para ele ser infeliz, em tese há até mesmo motivos para sua personagem ser amada, porém falta emoção no enredo e atenção do diretor nas atuações.

Asa e Ben em cena de HUGO.

O vilão da história é uma aberração ambulante. Interpretado pelo sarcástico Sacha Baron Cohen é incompreensivel o que o fez aceitar ingressar em algo tão ingessado e esteriotipado. Mesmo sendo um filme direcionado ao público infanto-juvenil, faz-se necessário vilões críveis, ainda mais nos dias de hoje em que as crianças são mais espertas que os adultos quando diz respeito aos antagonistas do heroi proposto. Herança dos desenhos japaponeses violentos.

Quando o foco do filme é direcionado à personagem do veterano Ben Kingsley e à homenagem em si, a salada de fruta começa a fazer mais sentido, porém este bom funcionamento só é engrenado nos vinte minutos finais. Assim sendo, visto como um todo, o invento é  criativo, tem uma estética interessante, mas é na hora de dar o play que se percebe as falhas, tantas falhas que melhor seria ser jogado no lixo do que ocupar espaço em onze categorias imerecidas.


Categorias: Cinema, Oscar

Deixe seu comentário

Este artigo não possui comentários