O sistema político americano é complicado e bastante diferente do brasileiro, o que podia tornar Tudo pelo Poder, de George Clooney, um filme seguimentado, porém a adaptação da peça teatral Farragut North é muito bem sucedida e apesar das possíveis leituras com o governo de Obama ou com a realidade política do país, a obra se mantém como um entretenimento contundente capaz de agradar até mesmo os mais apolíticos.

Durante as eleições do novo candidato a presidente, trava-se uma verdadeira batalha entre os cabos eleitorais do governador Mike Morris vivido por Clooney. O jovem diretor de comunicação Stephen Myers (Ryan Gosling) se relaciona com uma das estagiárias da campanha e descobre segredos que podem mudar os rumos da eleição.

O filme concorreu a quatro indicações no Globo de Ouro, mas infelizmente perdeu a força no Oscar e concorre em apenas uma categoria, a de Melhor Rodeiro Adaptado e faz por merecer. A fluidez é algo difícil de se ver em produções adaptadas, ainda mais em textos teatrais que geralmente comprometem a qualidade dos diálogos ao ser transferido para o cinema. As transgressões, combinações e exclusões feitas pelos  roteiristas foram essenciais para se chegar no ótimo produto final.

A parte política funciona sem didatismo, a romântica está no ponto certo com diálogos impecavelmente bem escritos e as intrigas são articuladas em tom universal.

O maior mérito de George Clooney como diretor foi fazer de uma história tão própria e local algo que transcende o espaço e as esferas do tema principal. A direção dos atores também é digna de destaque.

Ryan Gosling foi mais uma vez injustiçado no Oscar. Após ter feito um brilhante trabalho juntamente com Michele Williams em Blue Valentine e não ter concorrido na categoria de melhor ator, outra vez ele é esquecido na premiação. Sua interpretação como o ambicioso e paradoxalmente idealista em Tudo Pelo Poder mostra amadurecimento dramático raramente visto nos atores de sua geração.

Marisa Tomei como a repórter do The New York Times se apresenta em forma e merecedora de uma indicação a Melhor Atriz Coadjuvante.

Outra grata surpresa é a pupila de Woody Allen,  Evan Rachel Wood, ela que fez a doce romântica no filme Tudo Pode Dar Certo, interpreta agora a estagiária emocionalmente independente. Suas cenas com Ryan acrescenta ao filme um frescor necessário para a narrativa formando uma subtrama sólida e funcional para a linha dramática principal.

Philip Seymour Hoffman como o coordenador de campanha segue com sua atuação tecnicamente perfeita e George no trabalho de se autodirigir também possui um bom resultado.

Entre questões que podem fazer o espectador conhecedor do sistema e dos acontecimentos políticos torcer o nariz, Tudo pelo Poder visto como pura ficção aumenta seus pontos e ganha voto positivo.


Categorias: Adaptação, Cinema, Oscar

Deixe seu comentário

Este artigo não possui comentários