Todo o mundo nasce com um desejo e vai aproveitando o ensejo para ser isto ou aquilo, tudo na vida é liquido. Cada um parece ter sua tribo, seu meio, pertencer a uma congruência sem resistência. Filosofia de Gabriela. É verdade que o sol nasce para todos, porém muitos não nascem para o sol. A lua do meio-dia faz parte da geografia de quem não pertence a parte nenhuma.

E então como num passe de mágica, você aparece quando eu estava perdido. E me faz rir do que não aconteceu. As frustrações se dissolvem diante a ti. Tudo ao meu redor parecer fazer sentido e por fim me sinto numa atmosfera superiormente interessante, onde cada hora tem seu encanto. Volto a me encontrar, me acho ao pertencer a você.

No entanto, por razões desconhecidas, acaba. Fico acabado. E você como fica? Pergunto-me o que você está fazendo sem mim, o que eu estou fazendo sem ti? Perco-me. Por que me viciei nos teus beijos? Por que a lua não é de queijo? Sentido nulo. Distantes, nós não somos mais nós.

O que faz um hippie no escritório? Para quê serve uma segunda-feira no verão? Uma freira no carnaval, um gênio no hospício… Sem sentido. O que seria de Almodóvar sem suas cores? Quem é Frida sem sofrer? Louvre sem Monalisa, Rio sem Cristo… Desprovido. O que faz um filme sem fim? E o que está fazendo você sem mim?

O que faço durante um domingo pela tarde? Já não estou para os versos de Neruda, não consigo meditar feito Buda. O que faz uma biblioteca sem livro? Um juiz sem juízo… E o que estou fazendo sem você? Volto a me perder, enquanto o sol parece parar de brilhar. A lua volta a se fixar no céu e minha visão fica escura. Não sei o que faço sem você, porque sem você, não sei quem sou eu.


Categorias: Crônicas, Romance

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