Perú – Cusco, Valle Sagrado e Machu Picchu – Parte 1

Perú – Cusco, Valle Sagrado e Machu Picchu – Parte 1

Prepare o coração, o corpo e também o bolso, porque para chegar em Machu Picchu – uma das oito maravilhas do mundo – não é fácil.

Todo mochileiro que se preze tem vontade de conhecer a cidade perdida dos incas. Porém, os incas foram construir essa bendita cidade num lugar tão escondido, que em pleno século 21, ainda não é possível chegar lá de carro. Quer dizer, possível até que é, mas o risco do carro cair de algum penhasco é grande.

Pois muito que bem, a primeira parada ao chegar ao Perú é a linda cidade de Lima, a qual a maioria não tira sequer um dia para conhecê-la, acreditando que não vale a pena, o que é um terrível engano, pois como podem ver no post sobre ela, trata-se de uma capital espetacular.

Como Chegar a Cusco

De Lima, há duas maneiras de se chegar a Cusco – cidade com o aeroporto mais próximo de Machu Picchu – ou você vai de ônibus, ou você vai de avião. Se escolher ir de ônibus, indico a empresa Cruz del Sur, o preço não deve chegar a 120 reais a depender da classe que você escolher. Na primeira classe as cadeiras se inclinam totalmente, a parte ruim é que de Lima para Cusco são nada menos que 16 horas perdidas de viagem. É realmente para quem tem tempo de sobra.

Se você escolher ir de avião, a boa notícia é que há inúmeras companhias aéreas que fazem o trajeto, duas delas são mais baratas, a StarPerú e a Lcperú, no entanto, a má notícia é que para comprar com antecedência pela internet, que é quando se encontra passagens baratas, não é possível efetuar o pagamento com cartões que não sejam Visa Internacional do Bradesco ou do Santander.

Esqueça o Banco do Brasil e o Ourocard internacional, são uma cilada, até para sacar dinheiro lá, só é possível fazer pessoalmente no atendimento dos bancos, pois para o Banco do Brasil, o Perú é considerado país de risco em clonagem.

Catedrais em Cusco.

Comprando a Passagem para Cusco

Eu comprei minhas passagens pelo site da StarPerú, mas como meu cartão é do BB, não consegui efetuar a compra. Então mandei um e-mail com o código de reserva para a empresa, começamos a dialogar pela internet, até que eu os convenci estender minha reserva até o dia em que eu chegaria à Lima, para assim, pagar minha passagem pessoalmente. Cobraram-me sete dólares a mais por causa disso.

Ao total, a passagem de ida e volta saiu por 194 dólares e isso porque eu tinha feito a reserva com um mês de antecedência e lembrando que esta é uma das companhias mais baratas, ou seja, é barato, mas nem tanto, afinal de Lima para Cusco são apenas uma hora e cinco minutos. A quem possa interessar, deixarei o e-mail da StarPerú já que ele não está exposto no site da empresa. Nem me perguntem como foi que eu fiz para conseguir este e-mail, rodei o google inteiro: reservasweb@starperu.com.

Plaza de Armas.

Depois de toda essa confusão, enfim acertei tudo e partir rumo a Cusco. O que me chamou a atenção logo de cara foi a pontualidade com o que o voo saiu. Apesar de se tratar de um voo doméstico, é preciso chegar com duas horas de antecedência.

Companhia de Viagem

Sentei no avião e ao meu lado estava uma australiana com cara de chinesa. Achei que não íamos conseguir conversar, já que ela não falava nem espanhol e muito menos português, enquanto que o meu inglês baianês não serve para diálogos muito longos.

Em todo o caso, eu e ela tentamos e passamos a viagem inteira conversando, só Deus sabe como. A moça era médica, porém já havia trabalhado no cinema como câmera man, inclusive chegou a ser assistente de câmera do grande diretor Steven Spilberg. O nome dela está nos créditos finais da série “Band of Brothers”. Como eu tenho o box da série, já pude conferir. O motivo pelo qual estou cotando isto, é para mostrar que viajar possibilita conexões quase imagináveis.

Atração dos nativos.

Do Aeroporto ao Centro

Ao chegar em Cusco, antes do desembarque, um monte de empresas ofereciam seus serviços turísticos. Não aceitei nenhum, já tinha decidido a fazer tudo por conta própria, com exceção do ingresso de Machu Picchu, o qual havia pedido para o hostel comprar – esta é outra novela, a qual contarei no segundo post da série.

Na saída do aeroporto, mais uma vez, uma manada de taxistas vieram até mim querendo me cobrar 30 soles para me levar até o meu hostel. Como eu já estava esperto em relação aos taxistas, bati o pé e disse que só pagaria 15 soles. Eles riram dizendo que era impossível, mas eu sabia que era mentira, insisti e então um taxista aceitou me levar por 15 soles, cerca de 12 reais.

Entrando na cidade, levei um susto brutal com a pobreza de Cusco. Numa feira, as mulheres vendiam milho e verdura no chão, as crianças tinham cara de fome, e o cheiro podre da feira me deixou tonto, a sujeira era insuportável e a pobreza era visceral. Foi um baque presenciar aquilo. Eu ali gastando em dólares, pechinchando 12 reais e aquele povo vivendo em estado de miséria. Minha vontade foi de voltar na mesma hora para Lima. Quando o motorista me deixou no hostel, fiquei com tanta pena que dei até um dinheiro a mais do que havia sido combinado, ele agradeceu bastante.

Feira em Cusco – Foto do site “As Viajantes”.

Hostel e Altitude

Fiquei no Hostel Pariwana, o qual não é ruim, os quartos são limpos, a água quente é razoável, mas a internet é horrível, o que de certa forma prejudica os viajantes. Como estava muito cansado, ainda mais pela altitude, tomei um Dramin B6, dormir por algumas horas e depois fui conhecer a cidade que é um ovo. O que Cusco tem de mais bonito é a “Plaza de Armas”.

Plaza de Armas à noite.
No starbucks.

O que Fazer em Cusco

As demais atrações de Cusco são divididas entre alguns museus não muito bons, fui num de chocolate que é legalzinho, principalmente porque você pode experimentar o chocolate feito na fábrica, e eu sou chocólatra. Outra possibilidade é que você ande pelas ruas mais turísticas, porém em Cusco, qualquer passo em falso, você pode acabar caindo numa rua “normal” e dá de cara com a pobreza característica, aquela capaz de acabar com qualquer viagem.

Achei muito forte a carência do povo que vive nessa região do Perú. Cusco é uma cidade interessante, tem coisas bonitas para se vê, porém tudo pode ser visto num dia de caminhada, há não ser que você goste de fazer trilhas, lá isso tem muito, porém com a alta altitude, eu não tinha ânimo nenhum para ficar andando, isto porque eu não cheguei a me sentir mal de fato, apenas um cansaço maior, porém há pessoas que realmente não conseguem sequer respirar direito. Depende do metabolismo de cada um.

Talvez, o que tenha me ajudado, é que desde minha saída do Brasil, eu já estava tomando um Dramin B6 na hora de dormir e outro ao acordar, este B6 é próprio para o equilíbrio e não dá muito sono.

Procissão em Cusco.

Valle Sagrado

No próprio hostel, comprei um pacote para fazer o Valle Sagrado. Devido a uma máfia mascarada do governo, em que nada é vendido separado, tive que pagar 100 dólares incluindo o ônibus e as entradas da Casa de Alpaca, das ruínas de Pisac, Ollantaytambo e de uma fábrica textil em Chinchero. Como eu iria dormir em Ollantaytambo para pegar o trem cedo com destino a Machu Picchu, não iria conhecer Chinchero, embora tivesse que pagar como se tivesse ido.

 Maria Helena

Logo cedo, Javier, o líder do grupo, foi ao hostel buscar os turistas que fariam o passeio. Nos encontramos na praça com outros turistas e foi lá que conheci minha conterrânea Maria Helena, uma senhora de 60 anos, com disposição de 30. O marido dela já a estava esperando em Machu Picchu e ela ficou para fazer o Valle Sagrado sozinha. Ela me contou que havia morado na Bahia até os seus 20 anos, em Jacobina, que fica 60 km da minha terra natal, depois foi embora para a Europa, onde se casou com um suíço e vive por lá há quarenta anos. O engraçado foi vê-la misturando o português, com o inglês, com o francês, com o espanhol e com o italiano. Uma pessoa formidável – que vejam só vocês – acabou me hospedando em sua casa quando estive na Suiça recentemente. Coisas da vida.

Casa de Alpaca

A primeira parada foi a “Casa de Alpaca”, onde é possível ver várias lhamas, além de admirar uma vista muito bonita. Entretanto, eu e e Maria Helena suspeitamos que o principal motivo da parada era a lojinha com lembranças, tudo voltado para o comércio.

Vista da “Casa de Alpaca”.

A segunda parada do ônibus foi num mirante, lá também há pessoas querendo vender coisas. Maria Helena que não aguentava ver a pobreza das pessoas acabava comprando pra ajudar, embora reclamasse em seguida que não dava para ajudar todo o mundo e que por isso iria parar de viajar pela América do Sul.

Mirante do “Valle Sagrado”.

Pisac

Um pouco mais para a frente paramos na famosa feira de Pisac, onde há muita coisa para vender, principalmente jóias, tecidos e mais lembrancinhas. Devido à mala, não comprei nada, queria deixar pra comprar na minha volta à Lima, pois ainda teria que andar muito com minha mala.

A feira tem muitas opção, mas nada que chegue ao extraordinário. O que mais me chamou atenção lá, foi que pela primeira vez eu vi o Cuy assado. Para quem não sabe, Cuy é o porquinho da índia que eles assam no espeto e comem. É horrível de ser ver e custa entre 40 a 60 soles, dependendo do restaurante.

Cuy vivo…
…Cuy morto.

Outra coisa que me chamou a atenção em Pisac foi novamente a pobreza do povo. Tudo para eles é uma maneira de ganhar dinheiro. As crianças são arrumadas com roupas típicas e cobram 1 sol para tirar foto com o turista. A cara de tristeza das crianças é de dá pena. Tirei uma foto com uma delas.

Menina da Feira de Pisac.

Seguindo pelo Valle Sagrado, chegamos às ruínas de Pisac que me surpreendeu, se Machu Picchu era mais bonito que aquilo, então realmente iria valer a pena todo o esforço. Javier nos deu pouco tempo para subir e descer. A vontade era de passar pelo menos uma hora explorando o lugar.

Ruínas de Pisac
O “Valle Sagrado” visto das ruínas.

A viagem continuou e paramos numa cidade de apenas uma rua para almoçar. O restaurante que Javier nos levou não me agradou, era um self-service que custava 20 soles, porém eu não confiava naquela comida do Perú, primeiro porque não gosto de comida com shoyo e segundo porque não confiava na procedência dos alimentos que eram vendidos no chão das feiras sujas da região. Procurei um restaurante ali próximo e acabei comendo um peito de frango com batata, na verdade engoli, porque o gosto também não era dos melhores.

Ollantaytambo

Chegamos por fim em Ollantaytambo, nosso destino final, Maria Helena teve que ir embora para pegar o seu trem, pois ela havia comprado no horário das três da tarde, enquanto o meu só sairia às 6 horas da manhã do dia seguinte. Segui com o grupo de Javier para ver as ruínas, depois pegaria minhas malas no ônibus e buscaria o hostel que havia reservado pela internet.

As ruínas de Ollantaytambo são incríveis, muito mais do que as de Pisac. Inclusive há uma construção de blocos, que nem mesmo Machu Picchu tem.

Entrada da ruína.
Arco-íris e a cidade de Ollantaytambo ao fundo.
Che Guevara tem uma foto neste mesmo lugar.
Visão fantástica das ruínas.

Percebi que numa montanha mais adiante, havia neve no seu pico, então subi até o final das ruínas para ver melhor e também para tirar uma foto. Infelizmente, não dá para perceber bem na foto a beleza da neve no pico da montanha, porém ao vivo foi uma experiência incrível, mesmo já tendo visto muita  neve no Chile, tenho verdadeira fascinação.

A foto da tragédia.
Cachorro admirando a vista desde as ruínas.

Quando desci de onde havia tirado esta última foto, onde estava Javier e o meu grupo? Sumiram! Fiquei desesperado porque apesar de Ollantaytambo ser onde eu passaria a noite, minhas malas estavam no ônibus. Desci as ruínas correndo e perguntei a algum outro líder de grupo se havia visto Javier, a pessoa me respondeu que ele já havia ido embora, meu coração saiu pela boca.

Na segunda parte deste post, contarei o que aconteceu a partir de então e como consegui chegar à Machu Picchu.
Em Machu Piccchu.

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2 Responses to Perú – Cusco, Valle Sagrado e Machu Picchu – Parte 1

  1. Anonymous says:

    Estou tendo problemas para sacar com cartao visa. Como faco para sacar pessoalmente nos atendimentos dos bancos? Que banco devo procurar e que documentos levar? Obrigada.

    • Para sacar pessoalmente, se eu não me engano, você só precisa ir com o cartão crédito e com o passaporte. No atendimento você explica que não está conseguindo sacar no caixa eletrônico.

      O atendente vai perguntar quantos dólares ou soles você vai querer, aí você terá que assinar o comprovante e eles lhe dão o dinheiro. Eu consegui tirar assim em vários bancos. Boa viagem.

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