Perú – Machu Picchu e Águas Calientes – Parte 2

Perú – Machu Picchu e Águas Calientes – Parte 2

No episódio anterior da minha jornada até Machu Picchu, o ônibus havia me deixado na cidade de Ollantaytambo, na qual eu iria dormir para logo cedo pegar o trem, porém o ônibus foi embora com minhas malas e eu fiquei desesperado.

Perrengue

Acabei parando na delegacia, a qual ficava na praça principal, onde toda a população se encontrava, pois estavam comemorando o aniversário do povoado. Liguei para a agência turística, por sorte havia o número na passagem, e expliquei que iria dormir em Ollantaytambo, mas que o grupo havia partido com minhas malas. O atendente (nem lembro se era mulher ou homem) me disse que não havia como o ônibus voltar.

Fiquei doido, gritei pelo telefone, ainda bem que meu espanhol fica melhor ainda quando estou nervoso. Até ameaças eu fiz  dizendo  que já estava na delegacia e que faria uma denúncia. Por fim, o atendente disse que tentaria entrar em contato com o Javier para que ele voltasse. Enquanto esperava em frente à delegacia no meio da praça, o ônibus voltou.

Javier desceu cuspindo fogo e nós começamos a brigar na frente de toda a população, tornamo-nos a atração da cidade. Ele me xingando por eu ter sumido e eu chamando ele de irresponsável.

Onde Ficar

Após recuperar minhas malas, fui em busca do Hostel Iskay,  o qual havia reservado pela internet. O hostel fica de frente para as ruínas, numa rua um pouco escura, porém o dono espanhol me disse que o problema é que como era noite de festa na cidade, a prefeitura havia desligado a luz da rua para economizar.

A diária custou 27 dólares, o quarto era limpo e diferente, dava para ouvir o rio e vê o céu enquanto tomava banho. Um custo benefício fenomenal. Sem contar que o dono é bastante prestativo, ele comprou a entrada de Machu Picchu para mim e me cobrou 15 soles por isso, parece ter sido exploração, mas foi o único hostel que se dispôs a comprar a entrada, pois fiquei com medo de não consegui o ingresso, já que a compra está cada vez mais complicada de fazer. Recomendo o hostel 100%.

Festa de aniversário de Ollantaytambo

De Ollantaytambo a Águas Calientes

Acordei às 5 da manhã, pois tinha que estar na estação às seis. Tomei banho, peguei as malas e antes de sair, o recepcionista me deu uma sacola com o café da manhã, o qual acabei comendo dentro do trem: suco de caixa, banana e um sanduíche com queijo. Melhor que nada.

A estação não ficava longe, porém carregando mala ficava um pouco complicado. Acabei pegando um Tuc-tuc juntamente com uma nativa que nunca tinha visto na vida. Lá os táxis são assim, pega quem vê pela frente. A corrida de 1 km custou 1 sol, o referente a 70 centavos.

Antes do trem sair, precisava encontrar um lugar onde deixar minhas malas. A empresa do trem disse que não tinha lugar para guardar, então segui o conselho do dono do hostel e tentei guardá-las num hostel que ficava dentro da própria estação de trem, “El Albergue”. A recepcionista não queria aceitar, pois segundo ela, só guardavam malas dos próprios hóspedes. Argumentei que o dono do hostel havia me dito que era amigo do proprietário de lá e que eu pedisse o favor em nome dele, a mulher acabou aceitando e eu entrei no trem livre da mala.

Trem da Inca Rail

Compra da Passagem do Trem

O tema do trem é outro problema. Há três empresas: Peru Rail (foi esta que a novela Amor à Vida utilizou), Inca Rail e Machu Picchu Train. Os preços são praticamente os mesmos, o que muda é o valor da classe. Fui na mais econômica da Inca Rail e mesmo assim a passagem de ida e volta me custou 100 dólares. Comprei aqui no Brasil fazendo uma reserva pelo site, ao chegar em Cusco, fui até a loja da companhia que fica na Plaza de Armas e com o comprovante de reserva e o cartão de crédito em mãos, consegui pegar as passagens.

O trem é muito bonito e a viagem é agradável, uma hora vendo belas paisagens e ouvindo muita “flautita” peruana até chegar na pequena cidade de Águas Calientes.

Dentro do trem

De Águas Calientes a Machu Picchu

Assim que os turistas desceram do trem, todos correram para encontrar o ponto de ônibus que leva até Machu Picchu, inclusive eu. A subida dura em torno de 15 minutos e o preço de ida e volta é uma facada, 17 dólares. Algumas pessoas compram só a subida por 9 dólares e descem a pé. Os mais corajosos sobem e descem com as pernas, mesmo sendo 1 hora e meia de caminhada, 3 ao total, sem contar o tanto que terá que andar no próprio Parque Arqueológico.

Como meu físico não dá pra essas caminhadas, fiz como a maioria e paguei os 17 dólares. Ao chegar, carimbei o meu passaporte com a imagem de Machu Picchu, não esqueça de levar o seu.

Guarda-volume em Machu Picchu

Vi que há um guarda-volume que custa 3 soles o volume, é a única coisa barata que tem por lá. De toda forma, levei comigo minha mochila com água, roupa de frio, guarda-chuva e bolacha de sal. Comer por lá é caro demais e não pode fazê-lo dentro do parque, ou você come antes de entrar ou depois. Os banheiros também ficam do lado de fora do Parque.

Lhamas na entrada do Parque.
Vista de Machu Picchu do alto.

Andar pelas ruínas é muito emocionante, porém se você fizer o Valle Sagrado antes, parte dessa emoção fica comprometida, já que as outras ruínas também são bonitas, embora não tanto quanto Machu Picchu. De toda forma, realmente vale a pena conhecer, não apenas pela beleza ímpar, mas também porque chegar num lugar tão escondido e difícil dá uma sensação de superação incrível.

 Wayna Picchu

Para subir o Wayna Picchu, a montanha maior, o ingresso é mais caro e mais limitado, apenas 400 pessoas por dia. Eu mais uma vez preferi não me aventurar mais do que já estava me aventurando e fiquei andando pela cidade dos incas, o que já é muito cansativo e satisfatório. As casas de pedra, as ruas, a plantação, o sistema de água, tudo em Machu Picchu é história. Você pode pagar um guia por 20 soles, mas eu prefiri andar e fazer meu próprio tempo. Às vezes eu ficava perto de um guia para ouvir as partes mais interessantes.

Cidade de pedra.

Dependendo do seu ritmo, em duas horas dá para conhecer quase tudo, principalmente se o clima estiver tão bom como o que tive a sorte de pegar. Andar por Machu Picchu é voltar ao tempo. Impressionante como eles conseguiram construir uma cidade num lugar tão alto e difícil. Uma observação: eu não senti nenhum mal estar com a altitude, mas vi pessoas que se sentiram mal. É bom tomar um Dramin B6 para o equilíbrio.

Construção em forma de ave.
Degraus da cidade.

Depois de andar por Machu Picchu e de comer muito “Club Social” perto da lhamas, peguei o ônibus de volta ao povoado de Águas Calientes. A cidade parece ser mais agradável e limpa que Ollantaytambo, apesar que a comparação pode ser um pouco suspeita já que estive em Ollantaytambo num dia de festa.

Águas Termais

O que gostei em Águas Calientes é a enorme variedade de restaurantes, dando assim mais opções a turistas que não gostam de comidas exóticas como eu. Uma das melhores pizzas de atum que comi foi lá. É uma boa opção para quem quer repousar uma noite, mas não recomendo passar um dia inteiro. As água termais, outro atrativo do lugar, não vale nem um pouco a pena. Não cheguei a ir, mas todo o mundo que foi me disse que as piscinas são sujas e que a água tem forte cheiro de mijo.

Plaza de Armas de Águas Calientes”
Rio que corta a cidade.

A Volta a Cusco

Por sorte, só começou a chover quando eu já estava entrando no trem às 14:30. A paisagem de volta foi ainda mais bonita, pois desta vez fui ao lado do rio e a chuva causou um efeito de paz. Como minha sorte estava grande, assim que cheguei em Ollantaytambo, a chuva parou, graças a Deus. Peguei minhas malas no hostel que fica dentro da estação e logo ouvi pessoas gritando para a lotação com destino à Cusco. Paguei menos que 15 soles por uma viagem que durou quase duas horas.

No dia seguinte, descobri que o táxi para o aeroporto, ao contrário do que acontece em Lima, é mais barato saindo da cidade, paguei apenas 12 soles. Fui embora de Cusco deixando o Valle Sagrado, Machu Picchu e muitas lembranças para trás, porém a viagem ao Perú ainda não havia chegado ao fim. No próximo post, conheça Ica, o deserto de Huachina e as Islas Ballestas onde vivem focas, aves e pinguins. Até lá.

Paisagem vista do trem de Machu Picchu.

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