Os nove filmes indicados à principal categoria do Oscar 2013 seguem os mesmos critérios de anos anteriores. E apesar da quantidade expressiva de produções concorrendo a estatueta de Melhor Filme, a verdade é que apenas cinco têm realmente chances de ganhar. Pude assistir a todos e eis o meu parecer e as minhas apostas para cada um deles.

LINCOLN

O ponto forte do filme é a parte técnica e as atuações. Apesar do roteiro apresentar diálogos bem elaborados, a história não flui de maneira natural para aqueles que não estão inseridos no contexto histórico dos Estados Unidos. A direção é de Steven Spielberg que anda sendo superestimado, aumentando assim a possibilidade de “Lincoln” se firmar como grande vencedor. Espero que não consiga, porém caso chegue a vencer, há um consolo: a atuação de Daniel Day-Lewis merece ser vista e revista. Leia uma crítica completa do filme clicando aqui.

As Aventuras de Pi

A fotografia é linda, a história é simpática e tem uma lição de moral bastante propícia para os dias de hoje. No entanto, o filme peca pelo excesso de ditadismo. Tudo é muito bem explicado, o que às vezes chega a incomodar. O 3D é muito bem executado pelo diretor Ang Lee, o que valoriza o passe do filme. Acredito que não ganhará a estatueta, não que não mereça, mas sim porque é leve demais para os critérios da academia. Confira a crítica completa de “As Aventuras de Pi” clicando aqui.

Argo

Ben Aflleck consegue se sair bem como diretor, tanto que ganhou o Globo de Ouro e também foi eleito pelo Sindicato dos Diretores como o melhor do ano. Entretanto, a atuação do astro no papel principal deixa a desejar. Por ser baseado em fatos, o filme ganha um peso na disputa pelo Oscar, porém é de se estranhar que na categoria Melhor Diretor, Affleck não esteja presente, o que pode sugerir que o filme não alcançará o prêmio mais disputado da noite.  Crítica completa de “Argo” clicando aqui.   

A Hora Mais Escura

Da mesma diretora de “Guerra ao Terror”, Kathryn Bigelow, “A Hora Mais Escura” é muito superior ao filme que lhe rendeu o Oscar. Sua ausência na categoria de Melhor Direção causou revolta em especialistas, já que Bigelow mostrou bastante competência para estar na categoria. O filme narra os bastidores da caçada por Osama Bin Landen, a qual contou com torturas, mortes de inocentes, entre outros acontecimentos que o governo americano preferiu esconder. Não há provas de que é real aquilo que aparece na produção, mas seja ficção ou realidade, o filme funciona em ambos os casos. Acredito que para não sair sem nada da premiação, talvez leve para casa o Oscar de Melhor Edição de Som, ou talvez até o de Melhor Roteiro Original.

Django Livre

Apesar de ter recebido algumas críticas negativas por aí, Quentin Tarantino, ao meu ver, voltou melhor do que nunca, sem medo de se servir como autoreferência. A vingança do escravo que mata brancos é sensasional em todos os sentidos. As atuações estão monstruosas, inclusive a interpretação de Leonardo Di Caprio, o qual raramente chega a impressionar. Samuel L. Jackson também é digno de nota, merecia estar concorrendo como Melhor Ator Coadjuvante assim como seu parceiro de cena Christoph Waltz, este tem tudo para ganhar seu segundo Oscar, embora eu esteja torcendo para Philip Seymour-Hoffman, que arrebentou vivendo um pastor em “O Mestre”.

A trilha sonora do filme é arrepiante, ainda não entendi o porque de não ter sido indicada. Tarantino foi injustiçado e não concorre ao prêmio de Melhor Direção, isso diz muito sobre a categoria principal, possivelmente não irá levar, o que é uma pena, pois dos nove concorrentes, “Django Livre” foi o que mais me envolveu. É possível que vença como Melhor Roteiro Original, como aconteceu no Globo de Ouro.

Veja o trailer:

Indomável Sonhadora

Encantador, assim pode ser definido este filme que conta a história de uma menina de 9 anos que vive numa zona alagada. Além de uma boa sinopse, o talento da atriz-mirim impressiona, tanto que ela concorre como Melhor Atriz. Um verdadeiro achado. É uma produção leve que flerta com a alegoria. O diretor Benh Zeitlin concorre como Melhor Direção e por digerir várias crianças talvez acabe abocanhando o prêmio, evitando que ocorra uma dobradinha entre as duas categorias. Vale a pena conferir a pelicula, é emocionante sem ser piegas. Veja o trailer:

 Amour

Depois de ter perdido com “A Fita Branca”, Michael Haneke veio com tudo com “Amor”, um filme típico do diretor: díficil, seco e cruel. Talvez esse seja o ano do austríaco, caso não leve as duas categorias principal, está quase certo que ganhará como Melhor Filme Estrangeiro. Leia a crítica completa de “Amor” clicando aqui.

O Lado Bom da Vida

Como não poderia faltar entre os concorrentes, “O Lado Bom da Vida” cumpre a vaga do filme comédia, embora na realidade seja um drama com toque de romance cômico. Despretensioso e simpático, não passa disso. Previsível e bobinho, é uma piada que David O. Russell esteja no páreo também como Melhor Diretor. O filme fala sobre o amor entre pessoas com desequilíbrios emocionais, mentais A trilha sonora é o maior mérito da pelicula, além da interpretação refrescante de Jennifer Lawrence, a qual ganhou o Globo de Ouro, havia melhores, mas valeu a lembrança.

Trailer do filme:

Os Miseráveis

O que dizer de um musical de uma história francesa cantada em inglês? O filme não é uma adaptação propriamente dita do romance de Victor Hugo, mas sim do musical da Broadway. Os atores dão o sangue e cantam ao vivo durante as cenas, isso ajudou para que algo se salvasse. Anne Hathaway, mesmo com pouco tempo de tela, roubou o filme. Sua interpretação de “I Dreamed a Dream realmente foi arrebatadora, tanto que o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante já está praticamente certo ao seu favor. Tirando sua perfomance antológica, “Os Miseráveis” é uma miséria, com o perdão do trocadilho. Cansativo, chato, 85% dos diálogos são cantados. É de matar. Claro que há méritos na técnica, figurino, cenário e até mesmo a direção de Tom Hopper, o mesmo de “O Discurso do Rei” (clique aqui para ler a crítica), está mais convincente no que ele propõe. O meu problema é eu não me identifiquei com o que ele propôs. Para se ter uma ideia, o trailer é mais impactante que o filme:

 
 

Categorias: Cinema, Oscar

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