Olá. Está começando mais um “Entrevista na Alfândega”, o programa que pergunta além do roteiro. Na edição deste mês, voltaremos aos Emirados Arábes. Depois do Iêmen e de Dubai, chegou a vez de conhecermos Abu Dhabi. E para você que acha que esse é um destino caro demais para visitar, lembre-se que não existe viagem cara, o que existe é viagem mal planejada. Além do mais, os atuais preços do turismo nacional fazem qualquer lugar parecer barato. Imagine na Copa. 

Quem irá nos contar um pouco sobre o turismo ostentação em Abu Dhabi é a designer Thaís Towersey. Carioca, casada e apaixonada por viagens, Thaís atualmente reside em São Paulo e mantém um blog, o Guia Mundo Afora, no qual compartilha dicas de extrema utilidade para todo o tipo de viajante. Com apenas 25 anos, ela já viveu grandes experiências, as quais dividirá hoje conosco.

Uzi Por Aí: Oi, Thaís. Antes de tudo, muito obrigado por me conceder essa entrevista. E eu já quero começar falando sobre o seu blog. Nele você dar ótimas dicas de viagens, posta fotos pessoais e isso acaba de certa forma expondo um pouco sua vida. Então eu quero saber: como surgiu a ideia do blog, o que lhe motivou a fazê-lo? E já que seu marido também é um pouco exposto, como ele vê essa sua atividade? O blog foi algo discutido entre vocês antes de se concretizar?

Thaís Towersey: O blog surgiu meio como uma válvula de escape após minha mudança definitiva pra SP. Sou carioca, né, e foi muito difícil sair da minha cidade para morar em outra tão diferente. O que é um pouco irônico, já que adoro viajar. Mas eu precisava achar algo pra fazer que me fizesse feliz e fizesse esquecer um pouco a mudança, e decidi escrever (algo que nunca fiz antes na vida) sobre o que amo fazer, que é viajar. Meu marido nunca se opôs, mesmo aparecendo o tempo inteiro nele… (Risos). Muito pelo contrário, ele me deu bastante apoio e no início até revisava meus textos, até eu me sentir segura!

Thaís e seu marido em passeio de helicóptero por Abu Dhabi.

UPA: De onde surgiu essa vontade de viver viajando? Foi o seu marido que despertou isso em você, ou é você que o instiga? E também quero saber: viajar casada é melhor do que viajar solteira? O que tinha de diferente em suas viagens antes de conhecer ele e após conhecê-lo?

TT: Ahhh, os dois sempre amaram viajar, mas de maneiras diferentes. Eu sempre gostei de ver muitos lugares, mas com calma. Então em um viagem de 30 dias na Europa eu conhecia 5 cidades, 6 no máximo. Ele conhecia 20. (Risos). A gente mescla um pouco nossas estilos, hoje em dia.

Sobre viajar solteira, SEMPRE é diferente, né. Parece que a gente tem um pique maior: anda o dia todo e ainda faz night quase toda noite. Como eu aguentava isso? (Risos).

Casada a gente bate muuuuuita perna, mas dificilmente vamos pra night. Sempre jantamos e tal, no máximo um barzinho pra tomar uma cerveja gringa; mas DJ, musica alta, madrugada? Ihhh, isso não me pertence há muito tempo. O que eu adoro, na verdade, pois assim acordo cedo com tranquilidade no dia seguinte, tenho muito mais disposição para seguir meu roteiro rígido (sim, ele é extenso e não gosto que mude o programado! ‘Risos’), pois se não consigo, fico frustrada.

Yas Marina – Abu Dabhi.

UPA: Já vi que é um pouco metódica, hein. (Risos). Agora, vocês foram para Abu Dhabi, que juntamente com Dubai, é um dos emirados mais suntuosos. E eu fiquei pensando: Abu Dhabi é um destino romântico? Ou vocês foram em caráter de aventura mesmo?

TT: A gente foi de uma maneira que nunca viajei na vida: na lua de mel de um casal de amigos. Eles convidaram nós e mais dois casais para ir junto para as Maldivas, Dubai e Abu Dhabi…. (Risos). Pode parecer meio doideira, mas na verdade a ideia é MUITO legal, pois você faz todo o dia a dia turístico com a galera, ri, faz estórias de viagem e à noite você continua tendo sua intimidade como um casal. Até cancelamos uma viagem pra NY para ir com eles!

Não sei se isso já responde sua pergunta sobre o destino romântico, (risos), mas sim, é muito. Na verdade acho que você aproveita Abu Dhabi muito mais como um casal do que se fosse solteiro. São muitos resorts luxuosos com mega restaurantes, passeio de helicóptero, feiras… Além do mais, eu tive a impressão que você é muito mais respeitado quando é casado. Não tivemos nenhum problema com a religião e os costumes de lá. Já Dubai, tem mais night, as coisas são um pouquinho mais liberais (apesar de Abu Também ser em relação aos outro Emirados) e daria para a solteirada fazer uma boa viagem sem sentir falta da namorada.

Camelos do hotel em Abu Dhabi.

UPA: Eu vou fazer uma pergunta que pode ser um tanto quanto indiscreta, mas acho que é importante que você responda: Abu Dhabi foi a viagem mais cara que você já fez? E pergunto isso porque eu tenho a impressão de que é caro, mas não sei se realmente é. Quanto você acha que uma pessoa precisaria desembolsar para fazer uma viagem razoavelmente confortável para lá?

TT: Sem sombra de dúvidas. Ficamos 6 dias em Dubai e 4 em Abu Dhabi e o valor ultrapassou qualquer viagem de 30 dias na Europa que já fizemos. Mas assim, tudo depende de como você viaja, também. Quando vamos pra Europa, ficamos confortáveis, mas sem muitos luxos, até porque passamos o dia inteirinho na rua e o hotel serve basicamente para dormir.

Em Abu Dhabi e Dubai não dá pra brincar assim. Eles têm tudo em exagero, luxo transbordando em qualquer lugar que você passe, não existem coisas muito simples e baratas por lá. Você até vê hotel Ibbis, Holiday Inn, e outros do tipo, mas duvido que sejam na mesma faixa de preço que no resto do mundo. Não faz sentido viajar quase 15h para lá e não viver a experiência de um resort 5 estrelas (que seria considerado 7, se pudesse), ir em restaurantes metidos a besta, andar de helicóptero, pular de Skydive, e todos esses passeios irados (e caros) disponíveis no lugar, que te fazem se sentir um pouquinho um sheike.

Dá pra viajar pra lá, pegar o hotel mais barato, e basicamente só fazer os pontos turísticos baratos, tipo a Mesquita, os Souks, e outras coisas de graça, mas não faz sentido uma vez que o turismo de lá são os restaurantes, os passeios malucos tipo safári no deserto ou dirigir um carro de Fórmula 1, que custam caro.

E você já vai pagar quase R$4 mil só na passagem, abraça a causa! Quanto ao valor que gastei, não sei exatamente, mas acho que o casal saiu por volta de 50 mil, com passagem, hospedagem, alimentação e passeios. Não pensem que sou rica não, hein! Tô longe disso. Infelizmente, sou maluca mesmo! (Risos). A gente viu a oportunidade de fazer uma viagem única com os amigos e pegamos sem nem pensar e calcular muito, e acabou saindo mais do que esperávamos. E uma vez que já estávamos lá, chutamos o balde, mas estamos até agora catando os cacos da carteira… (Risos). Mas posso dizer com gosto: foi a melhor viagem da minha vida.

Jantar no hotel de Abu Dhabi.

UPA: Uau! Será que um dia eu faço uma viagem nesse nível? (Risos). Mas enfim… Vocês também conheceram Dubai. Então eu vou ser curto e grosso: gostaram mais de Dubai ou de Abu Dhabi? Qual a vantagem que Abu Dhabi tem sobre Dubai?

TT: Putz, difícil. Eu acho que gostei mais de Abu Dhabi. Não sei se foi nossa primeira impressão, e o choque de realidade foi muito grande, e quando chegamos a Dubai já estávamos um pouco acostumados… E fora que o hotel de Abu Dhabi era SENSACIONAL, ponto turístico e hotel que os Sheiks de hospedam (vocês já podem imaginar) e nos proporcionou uma estadia incomparável. 

Por ser um pouco mais calmo que Dubai, tem menos passeios, você aproveita mais o resort, os luxos, os mimos. Acaba relaxando mais. Dubai é um pouco mais turístico, mais bate perna. Por conta disso eu voltaria a Dubai a qualquer momento. Ficaram faltando coisas pra fazer por lá. Dá uma vontade enorme de viver aquilo de novo.

Al Mahara – Dubai.

UPA: Como dito antes: você é blogueira, design, carioca… Tudo isso, a meu ver, são indícios de que você seja uma pessoa moderna, no entanto, você se casou muito cedo, o que hoje é considerado anti-moderno. Você imaginava que se casaria com esta idade? E como é possível ser “dona-de casa” e ao mesmo tempo ser uma mulher moderna que gosta de viajar e conhecer o mundo? Há uma tensão entre esses dois seres?

TT: Eu nunca imaginei que ia casar tão cedo, muito pelo contrário, sempre disse que não casaria antes dos 30. Mas quando acontece, acontece, não tem jeito… (Risos).

Eu amo ser casada. E ser “dona de casa” está sendo mais fácil do que eu esperava. Acho que a mudança de sair do meu Estado, literalmente de perto da família e amigos foi tão brusca que a mudança de estado civil foi fichinha.  Eu sempre vi mulheres casadas sendo multi-uso: trabalhando, cuidando de filhos, da casa e ainda tendo tempo pra elas, e sempre achei meio impossível de se realizar, mas está no nosso sangue. Flui sem sentir.  Sem dúvidas viajar (e poder escrever sobre) é o bônus por todo o resto do trabalho… (Risos).

Jantar no barco em Dubai.

UPA: A rixa entre cariocas e paulistanos ainda é muito comentada. E você saiu do Rio de Janeiro para morar em São Paulo. Então eu pergunto: quais as principais diferenças que você vê entre estas duas cidades e de qual gosta mais? 

TT: É, então, isso é forte mesmo. 90% dos meus amigos daqui, inclusive os que casaram e viajaram com a gente pra Abu Dhabi são cariocas que moram em SP. Paulistas são muito mais fechados que cariocas, o que dificulta muito a criação de uma amizade mais profunda. Mas sinceramente tive poucos problemas com isso por aqui, de preconceito. O pior de tudo é nunca entenderem meu nome por causa do sotaque. Eu falo ThaíX, e o X é impossível pra algumas pessoas… (Risos). Todo mundo entende ThaÍDE. Meu nome no copo do Starbucks já saiu até ATAIDE, vê se pode… (Risos).

Eu amo o Rio, e apesar de ter sido muito difícil pra mim a mudança, como já dito, hoje em dia não penso em voltar pra lá. Até a falta de educação carioca no trânsito me irrita quando vou visitar, e olha que eu sempre fui daquelas que nem conhece a seta, (risos). Mas depois que você vive um tempo entre tantas motos e em um trânsito tão bizarro quanto o daqui, você aprende a ser educado e gosta disso. SP é muito mais evoluído em muitos aspectos, e acho que voltar seria um retrocesso de qualidade de vida. 

Mesquita de Abu Dabhi.

UPA: É verdade que “todo lugar é bom quando se estar com a pessoa amada”? Ou já esteve num lugar tão entediante que nem mesmo uma boa companhia é capaz de salvar? Que lugar foi este?

TT: Tem um pouco de verdade sim, tudo fica mais interessante, mas dizer que QUALQUER lugar se torna Abu Dhabi (hehe) é muita hipocrisia, ainda mais quando se viaja para fazer turismo intenso, como fazemos.

Buenos Aires ano passado foi um decepção. Eu já tinha ido em abril com as amigas (já casada), e foi mais legal. Também oito mulheres juntas não te deixa reparar em muita coisa… (Risos) Aí em Outubro fui com o marido, e foi tão decepcionante. A cidade está imensamente suja, cheia de cocô de bicho, um clima meio de tensão de assalto, e olha que minhas cidades referência são Rio e SP, sabe. Me desculpem os amantes de Baires, mas aquele clima romântico-chic que a cidade tinha foi pro ralo com a crise. 

O casal na Flor da Recoleta em Buenos Aires.

UPA: Nisso eu concordo totalmente com você. Eu fui para Buenos Aires pensando em morar pelo menos um ano e acabei passando apenas quatro meses. A crise lá é muito explícita. Mas bom… Prosseguindo. Pessoas que gostam muito de viajar, geralmente tem um grande desejo por liberdade. Já mulheres casadas, geralmente são cobradas pela sociedade para terem filhos. Pensando nesse contexto, eu pergunto: você acha que a maternidade lhe prenderia de uma forma negativa? Ou pelos filhos, você não se importaria de perder a liberdade de viajar quando e para onde quiser?

TT: Nossa, agora você pegou no ponto complexo… (Risos).

Eu não tenho vontade de ter filhos. At all! E justamente por todos os motivos que você citou: perda de liberdade, dinheiro, blá blá. Já meu marido quer ter. Mas isso é um assunto que a gente nem discute muito ainda… Eu tenho só 25 anos, e todo mundo fala que vou mudar de idéia quando for mais velha. Então vamos esperar ficar mais velha para se estressar com isso, né? (Risos).

E quanto a “pressão da sociedade”, isso não me afeta de forma alguma. Cada casal que decide o que o faz feliz, independente do estereótipo. Na verdade, eu nunca fui comum, e até gosto do choque de opinião!

Bate-volta, Jogo Rápido

Burk Khalifa – Dubai.

 Infância: Ainda de rua, sem videogames.

Vida adulta: Mais fácil do que ser adolescente. 

Divórcio: Nem penso nisso.

Praia ou shopping? SHOPPING!!!!!!

Camelo ou cavalo? (Haha). Camelo.

Um lugar para passar a lua-de-mel: Ilhas Maldivas

Dois lugares que tem vontade e, ao mesmo tempo, tem medo de ir: Que tenho medo, Egito, só.

Qual o prato que você sabe fazer que o seu marido mais gosta? Frango ao Curry!

Você fica irritada quando… Fico muito tempo presa em um lugar.

E para terminar,  o que o mundo afora já disse para Thaís? Sempre que viajo não deixo de comparar a evolução da maior parte dos países em relação ao Brasil. Vejo o quanto temos que crescer, mudar e questiono demais como as coisas são feitas por aqui. Mas apesar de tudo, acabo dando valor a outras coisas que temos, principalmente a receptividade e capacidade de ver algo positivo em tudo, que o povo brasileiro tem, o que facilita continuar vivendo no Brasil.

 

Uzi Por Aí: Interessante você terminar com essa questão do Brasil, porque eu comecei a entrevista reclamando dos preços abusivos do turismo nacional. E a gente sabe que isso é só mais um dos tantos problemas desse país, que tem seu lado prazeroso de se viver, mas que tem um lado que só dá desgosto. Eu quero te parabenizar porque acho que você faz parte do lado que dá orgulho em ser brasileiro, afinal, você poderia viajar para esses lugares maravilhosos e agir como uma elite pretensiosa e socialmente apática. No entanto, você faz o contrário, pratica um turismo bastante consciente e altruísta ao compartilhar suas experiências para ajudar viajantes que buscam por informações. Muito obrigado pela entrevista e que venham novas (e grandes) viagens a serem relatadas no seu blog. 

 Em novembro voltaremos com mais uma edição do “Entrevista na Alfândega”. Por enquanto, comente, curta, compartilhe e , se possível, viaje para que você também possa ser um dos entrevistados. Suerte!

Thaís e seu marido na praia do hotel em Abu Dabhi.

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  1. Luciana AmaralResponder

    Gostei da entrevista!