Para quem mora em São Paulo, ou está de visita, é sempre bom pesquisar sobre as exposições da temporada.Há alguns meses atrás, houve a mostra da série “Games of Thrones” no JK Shopping (pena que poucos conseguiram ingresso); e atualmente, a exposição da vez é sobre a vida e obra do cineasta Stanley Krubick que fica em cartaz na cidade até o dia 12 de janeiro de 2014.

Realizada aqui no Brasil pelo MIS (Museu de Imagem e Som), o ingresso custa 10 reais, sendo que às terças-feiras, a entrada é franca. Lembrando que os horários variam de acordo o dia e que nas segundas-feiras não há atividades.

Como chegar ao MIS

O MIS fica na Avenida Europa 158. Um modo fácil de chegar até lá é descendo no Metrô Consolação e pegar – no primeiro ponto da rua Augusta (lado Bela Vista) – o ônibus 107T-10 ou o 908T-10. São apenas 8 paradas de distância.

 A Exposição

A curadoria do museu fez um trabalho de excelência. Até mesmo a viúva de Krubick elogiou dizendo que a amostra brasileira foi a mais rica , pois não somente expôs os objetos, como também recriou um cenário lúdico sobre cada produção.

Cadeira usada pelo diretor.

Barry Lydon

Após uma antessala com informações gerais sobre Stanley, chegamos ao cenário do filme “Barry Lyndon”. Os principais objetos desta parte são os figurinos de época da película e uma câmera utilizada pelo diretor. No espaço montado pela curadoria, foram colados castiçais para lembrar as cenas de “Barry Lyndon” que foram gravadas sem iluminação artificial, isto é, Stanley usou apenas a luz natural das velas, o que impossibilitava que os atores se mexessem.

Claquete.
Câmera especial.
Figurinos de “Barry Lyndon”.

O Iluminado

A próxima sessão foi sobre o filme “O Iluminado”, do qual já classifiquei aqui no blog como um dos melhores suspenses. Para fazer o visitante se sentir parte da película, o ambiente foi decorado com o mesmo papel de parede do hotel de Jack Torrence, e como música de fundo foi colocada a angustiante trilha sonora. Nesse clima, e impossível não se arrepiar ao ver objetos como o machado usado por para quebrar a porta, a máquina de datilografar e a faca usada por Wendy para se defender. Há também a maquete do gramado labiríntico, onde ocorre a sequência final.

Claquete de “O Iluminado”.
Livro de Stephen King que deu origem ao filme, grifado por Stanley.
We all shine on, like the moon and the stars and the sun.”
A faca.
O machado.
Projeção do filme.
Maquete do labirinto.

Lolita

Num espaço bem menor, “Lolita” é homenageada. O papel de parede remete ao quarto da personagem título e o filme é projetado numa estrutura de óculos em coração, como o usado por Lolita. Digamos que esta seja a parte feminina da exposição.

Projeção do filme “Lolita”.

Uma Odisséia no Espaço

Num cenário moderno, os fãs de ficção-científica, mas precisamente, do filme “2001: Uma Odisséia no Espaço” vão ficar de boca aberta. Para muitos, este é o ponto ápice da mostra. Além do figurino original do macaco e do astronauta, está exposto também o Oscar de Melhor Efeitos Visuais que Stanley ganhou pela produção futurista. 

Oscar de Efeitos Visuais.
A roupa do macaco.
Figurino: roupa do astronauta e mochila futurística.
Feto.
A exposição de “2001: Uma Odisséia no Espaço.

Spartacus

O primeiro “Spartacus” também está representado. Além de expostas algumas fotos de bastidores, a roupa original do imperador pode ser vista pelos visitantes, tal como os roteiro original do filme.

Figurino de “Spartacus”.
Macking-of.

Laranja Mecânica

A produção mais conhecida de Stanley é “Laranja Mecânica”. Desse modo, não é de se admirar que a exposição tenha dado mais destaque a esta sessão. Tão bizarra quanto o próprio filme, a mostra traz as icônicas esculturas eróticas que fizeram parte da direção de arte. Há um manequim com o figurino original usado por Malcolm McDowell e logo na entrada há uma pilha de televisores exibindo as fortes cenas do filme, uma espécie de diálogo com a sequência em que Alex é obrigado a assistir às atrocidades do mundo.

Claquete de “Laranja Mecânica”.
Disco de Ouro da trilha sonora do filme.
Escultura 1.
Escultura 2.
Figurino de Alex.
Televisores.

Nascido para Matar

Talvez seja “Nascido para Matar” o filme menos esquisito de Krubick. Pelo menos no que diz respeito à gramática cinematográfica, já que por se tratar de guerra e por ter uma proposta mais realista, o diretor não usou de grandes experimentações. Entre os principais objetos expostos nessa sessão está o capacete original de Joker e o roteiro. Há também camas militares iguais as que aparecem na primeira parte do filme. Os visitantes podem deitar nas camas e assistir trechos do filme por um televisor que está acoplado.

Capacete.
Camas do exército.
Roteiro.

De Olhos Bem Fechados

Nada mais sugestivo que fechar a exposição com o filme “De Olhos bem Fechados”. As máscaras usadas na orgia elitizada são os principais atrativos desta sessão. Algo que achei bastante curioso, é que o guardanapo no qual foi escrito a senha “Fidelio”, está exposto.

“De Olhos bem Fechados”.
Máscara usada por Tom Cruise.
O guardanapo.

O Diretor

Stanley Krubick não era um diretor de seguir as normas, pelo contrário, ele gostava de transgredir a linguagem cinematográfica, e foi por meio destas transgressões, que ele executou filmes que à primeira vista podem parecer malucos. Mas há sentido em meio há tanta maluquice. Lembro de quase desistir de ver “Laranja Mecânica”, pois de início achei apelativo, incomodamente gratuito. No entanto, após analisar, percebi que o estilo de Krubick requer espectadores dispostos a configurar as lentes para entender o que ele quer dizer.

Esta exposição ajuda a compreender sua genialidade.

Troféu Leão de Ouro.

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