Olá. Esse é o primeiro “Entrevista na Alfândega” de 2014 e é com muita satisfação que nós continuamos a entrevistar brasileiros que estão espalhados pelo mundo, afinal de contas, todo viajante precisa narrar e quem pensa em viajar precisa “ouvir”. Nesta edição, conheceremos o relato íntimo e turístico de um universitário em Budapeste, Hungria.

Israel Neto é um baiano de 22 anos. Graduando em Agronomia pela UFRB (Universidade Federal do Recôncavo Baiano) foi selecionado pelo programa Ciências Sem Fronteiras para estudar por um ano no exterior. Vivendo em Budapeste desde julho de 2013, Neto já aproveitou para conhecer diversos países, como: França, Áustria, Itália, Croácia, Suíça, entre outros. Aqui, ele vai nos contar sobre sua vida, seus anseios e passeios….

Uzi Por Aí: Oi, Neto. Obrigado por aceitar falar com o blog sobre essa nova experiência. E eu vou começar pelo início de sua vida acadêmica. Você morava dentro de um colégio interno com o seu pai, que era o professor de geografia, com sua mãe, que trabalhava na instituição, e com sua irmã, que também estudava lá. E eu fico imaginando então: como é ter a família presente no ambiente escolar por tantos anos? Isso para você sempre foi tranquilo, ou às vezes sentia um pouco de falta de liberdade?

Israel Neto: Antes de tudo, quero lhe dar os parabéns pelo blog e agradecer pela oportunidade de ser entrevistado e mostrar um pouquinho da Hungria e das minhas experiências. 

Bem, respondendo à sua primeira pergunta, eu avalio como muito positiva a presença da minha família durante o meu período escolar. Apesar de, mesmo nos tempos de colegial, ser sempre muito responsável e comprometido com os estudos, considero a presença deles importante porque sempre puderam me apoiar e acompanhar em qualquer dificuldade. 

Mas, definitivamente eu não dei trabalho pra eles na escola (risos). Outro ponto positivo desse período em casa é que, eles puderam me ensinar a resolver os meus próprios problemas, fazer escolhas e ter autonomia e independência. Assim, eu aprendi a administrar minhas finanças, cuidar de mim mesmo… Só não aprendi a cozinhar. Ainda não sei, mas estou me virando (risos). Então, ao contrário de me sentir pressionado e sem liberdade, esse período dentro de casa foi muito bom e me possibilitou estar bem preparado para esse momento que estou vivendo.

Heroes Square, Budapeste.

UPA: Você foi estudar por um ano em Budapeste porque foi um dos selecionados pelo projeto Ciências Sem Fronteiras da Capes. Como é que se deu isso? Quais foram os requisitos para ser escolhido? E porque a cidade escolhida foi Budapeste?

IN: Na verdade, a minha vinda para Budapest resultou da minha terceira tentativa de intercâmbio. As duas primeiras, para Portugal e EUA, não se concretizaram. Depois de passar por um longo e complicado processo seletivo para intercâmbio nos EUA, em 2011, eu desisti de tentar a mobilidade acadêmica durante o bacharelado, para focar na minha entrada no Mestrado. Mais de um ano depois, surgiram novas possibilidades com o CsF e por insistência de um grande amigo, Marcelo Batista, que agora está na Austrália (também pelo CsF), decidi me inscrever novamente no programa, exatamente pelo fato de o processo seletivo ter sido simplificado e não requerer muito esforço.

Os principais requisitos no processo seletivo foram a apresentação do certificado de proficiência em inglês (que eu já tinha), comprovante de participação em atividade de iniciação científica e ter concretizado menos de 90% do curso. Naquele período, só havia chamadas abertas para Hungria e Austrália. Com poucas opções e muitas dúvidas optei pelo país menos conhecido, mas geograficamente muito bem localizado no Velho Continente, o que seria ótimo para o ‘Turismo Sem Fronteiras’.

Na verdade, eu deveria estudar em Kaposvár e não em Budapest. Deixa eu resumir a história. Depois de aprovado pelo HRC (órgão da Hungria responsável pela seleção), o próximo passo foi a alocação nas Universidades. Feito isso, foi só ajeitar as burocracias de Visto, moradia e a boa vontade da CAPES para liberar o dinheiro da passagem. Então, dos 450 brasileiros vindo pra cá em 2013, fui o único alocado na Universidade de Kaposvár, a 200 km de Budapest. Chegando na Hungria, fui morar em Gödöllő para um curto período de aulas de inglês e nesse meio tempo fui visitar Kaposvár para ajeitar algumas questões.

Odiei. Retornei da visita decidido a ir embora para o Brasil se não me mudassem de universidade. Sem exageros. Apesar de ser recebido com bastante ansiedade (provavelmente por ser um brasileiro indo para a pequena universidade deles­) e de ser muito bem tratado, Kaposvár não estava preparada para me receber. Não ofereciam disciplinas apropriadas para minha formação nem laboratório de anatomia onde eu pudesse estagiar, entre outros fatores. Felizmente o pessoal do HRC permitiu a mudança e agora estou na Corvinus University of Budapest, uma das mais tradicionais do país.

Trabant (carro socialista). Em Memento Park, Budapeste.
 

UPA: As aula são em inglês, não é? Mas apesar da proficiência no idioma, você teve alguma dificuldade? Porque estudar em outro idioma é sempre um pouco complicado…

IN: Sim, as aulas são em inglês, mas não houve muita dificuldade de adaptação. Com o nível de inglês que eu cheguei até o início das aulas, foi bem tranquilo os primeiros contatos, acompanhar as aulas e participar das atividades com colegas e professores.

É verdade que rolou umas situações engraçadas e levou um tempo pra acostumar com o sotaque do pessoal daqui porque eles têm forte influência do inglês britânico. As diferenças para o inglês americano, que estamos mais acostumados, existem mesmo, assim como às vezes foi difícil de compreender os amigos portugueses (eles falam estranho demais (risos). Mas agora acostumei.

Como nem todos sabem, acho que vale destacar que o idioma oficial da Hungria não é inglês, mas o Húngaro que está no Top 5 das línguas mais difíceis do mundo. Isso tem dois significados importantes. O primeiro é que fica mais fácil se comunicar em inglês, pois todo mundo aqui também têm inglês como idioma estrangeiro. E, o segundo ponto é que em todo esse tempo por aqui, o meu conhecimento de húngaro ainda tende a zero.

Liberty Bridge.

UPA: Budapeste é dividida em duas: Buda e Peste. Quais são as diferenças entre essas duas partes da cidade? Qual delas você gosta mais?

IN: Verdade. Até a segunda metade do século 19, quando não havia nenhuma ponte para ligar os dois lados, Buda era uma cidade, limitada à margem norte do Danúbio e Peste logo do outro lado do rio. Posteriormente, com a construção da Chain Bridge e outros importantes monumentos as duas foram unificadas em 1872 e, atualmente, Budapest figura como a capital e a cidade mais importante da Hungria.

Bem, o lado de Peste é onde efetivamente encontramos o centro comercial de Budapest, e é também onde se encontram famosos monumentos e pontos turísticos como o prédio do Parlamento Húngaro (o segundo maior da Europa), a Basílica de St. Stephen, a Sinagoga dos Judeus (Dohány utcai zsinagóga, considerada a maior da Europa e segunda do mundo) a Keleti Pályaudvar, (estação internacional de trem), a Heroes’ Square, o Puskás Ferenc Stadium, a maior e mais antiga fonte termal (Széchenyi Thermal Bath) e grande parte dos campi das Universidades. Além disso, nesse lado encontramos 39 das 42 paradas de metro e 4 dos 7 shoppings da cidade. Por todas essas razões, acho que Peste pode ser considerado o lado mais importante, pois é também onde está a maior parte dos prédios residenciais e é a opção de moradia para maior parte dos estudantes estrangeiros, por apresentar muito mais opções para os agitos na madrugada. 

Buda tem como principais atrações o Buda Castle, os campi de duas das mais importantes Universidades da Hungria (Budapest University of Technology and Economics e a Corvinus University of Budapest), um dos mais bonitos cartões postais (Citadel e Buda Hill) e outros importantes pontos turísticos como o Hospital in the Rock (um dos meus preferidos), a Mátyás Church, Fisherman’s Bastion, etc. Esse é o lado da cidade onde achamos alguns “bairros nobres”, e abriga uma parcela muito menor da população, como também do comércio. 

Eu particularmente não tenho um preferido. Buda e Peste também são separados só pelo rio, mas não é como Juazeiro e Petrolina quando dizem que o que Juazeiro tem de melhor é “a vista”. Aqui gosto das duas. Moro em Peste, mas estudo em Buda. De Peste admiro um dos lugares mais atraentes, o Buda Hill e a Citadela. Mas é de lá de cima que temos uma das vistas mais lindas da cidade. 

Szent István University, em Gödöllő.

UPA: Uau. Você deu uma resposta bem completa, hein. E aproveitando, eu queria que você desse alguma dica sobre o dinheiro. Porque como a moeda da Hungria não é o euro, muitos ficam sem saber como proceder em relação a isso.

IN: Pelo fato de recebermos nossa bolsa em Euro, mas viver em um país com outra moeda, a administração do dinheiro é mesmo importante, mas às vezes bem chato de lidar. Hoje a forma mais simples seria sacar a bolsa em Euro, em um dos 2 ou 3 caixas eletrônicos espalhados pela cidade que permite retirar nessa moeda, e então trocar por Forint (HUF) em uma casa de câmbio. Essa é uma forma simples, mas tem a desvantagem de ter que carregar todo o dinheiro “na mão”.

Outras pessoas abriram uma conta em um banco húngaro. A vantagem é que você pode ter uma conta para guardar seu dinheiro, e usar débito automático toda vez que sair, e também usar esse cartão para compras na internet (o que é muito útil para compra de passagens, por exemplo).

Quem não tem uma conta aqui, se aventura a usar o próprio cartão da CAPES ou um cartão do Brasil, por exemplo. No princípio, muitos, como eu, estávamos usando o VTM para usar o dinheiro fora da Hungria, pra evitar usar o cartão da CAPES fora do país que residimos.

No entanto, poucos dias atrás, o governo brasileiro aumentou o valor da alíquota de 0,38% para 6,38% nas movimentações financeiras no estrangeiro, o que afeta inclusive os cartões pré-pagos, como o VTM. Isso muda um pouco o cenário, pois teríamos muito mais perdas com esses impostos, em todas as movimentações financeiras, quer seja com cartão de crédito do Brasil, VTM, etc.

Com estudantes brasileiros visitando o Hospital in the Rock.

UPA: É, nem me fale desse aumento do IOF, porque isso veio num momento muito complicado, pois o dólar já está muito alto. E o pior é que o governo agiu como se fosse um bandido, não avisou para que as pessoas pudessem se organizar, simplesmente aumentou o tributo em plena sexta-feira do dia 28 de dezembro e já passou a valer no dia seguinte. Mas enfim… Eu queria que você também desse alguma indicação do que um turista não pode deixar de ver ou fazer em Budapeste.

IN: Apesar de não ser uma cidade muito grande, é necessário, pelo menos, de 2 a 3 dias em Budapest pra aproveitar um pouquinho de tudo. Passar um pôr-do-sol do alto da Citadela é uma obrigação. A vista para o Rio Danúbio com as pontes e o visual do Parlamento todo iluminado ao anoitecer é muito bacana lá de cima. 

Da parte histórica, eu destacaria a House of Terror e o Hospital in the Rock (meu preferido). Nesse último, você encontra instalações originais do hospital usado na II Guerra, com caixas de remédios (sobras do período da guerra), roupas dos soldados, equipamentos, armas, etc. Mais interessante ainda são os bonecos de cera, com as roupas da época mostrando a situação dos feridos e também dos médicos, enfermeiros e generais trabalhando para controlar a situação. Vale muito à pena (se você tiver um tempo extra).  

Em Budapest o turista não pode deixar de dar uma caminhada na avenida Andrassy, uma das mais bonitas (no natal) e importantes da cidade (até porque tem um restaurante brasileiro lá, (risos); visitar o Central Park e quem sabe assistir um concerto na Opera House (onde Frans Liszt tem forte influência) também não seria nada mal. E pra chegar em qualquer desses três pontos, você já pode pegar carona na linha 1 do metro, que foi o primeiro construído no continente europeu (considerando que o Reino Unido é uma ilha, pois o metro de lá veio primeiro). 

Outros pontos turísticos são: o mercado central (se o biscoito cair no chão, dá pra pegar e comer… o chão é de cerâmica e muito limpo), as fontes termais, o memorial aos judeus à beira do Danúbio, caminhar em pelo menos uma das 8 pontes e outros tantos museus (Museu de Belas Artes, Museu Nacional…).

UPA: Há pouco mais de seis meses que você está vivendo em Budapeste e nesse tempo você aproveitou para conhecer outros países. Dessas diversas nações que você visitou, qual gostou mais e porquê?

Humm, não é fácil escolher um lugar só. Mas pra não ficar completamente em cima do muro, escolho a Croácia. Principalmente por causa das ilhas, praias, Plitvice e todas as belezas naturais… Foi um dos lugares mais fantásticos que eu visitei em toda minha vida, com certeza. Exceto pelas Havaianas – que são caras mesmo em qualquer lugar, o custo de vida também não é dos mais absurdos de caro, pelo menos no continente, por que nas ilhas, encontrei 200 ml de Coca-cola custando aproximadamente 21 kn (=R$ 9,15).

A viagem durou acho que 4 dias. Pegamos um trem de Budapest para a capital Zagreb, onde dormimos a primeira noite. No dia seguinte fomos de ônibus para Plitvice, que desde 1979 é designado como Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO. O lugar é sensacional.

Split, Croácia.

UPA: Como dito inicialmente, a família é algo muito presente em sua vida. Mas agora você está num lugar distante, onde não tem parentes por perto, numa liberdade que é o extremo oposto de quando você estava no Brasil. Então eu pergunto: há algum estranhamento ou incomodo nessa nova situação? Como foi ter passado o natal e o réveillon tão distante da família?

IN: Como você deixou subentendido esta é mesmo a primeira vez que moro longe de casa. Apesar disso, o excesso de liberdade não foi um problema porque como disse anteriormente, desde cedo aprendi a me cuidar, tomar minhas decisões e agir com responsabilidade. 

Quanto à distância, é um pouco curioso, estranho ou até engraçado e aqui, definitivamente, depende do ponto de vista do leitor. Apesar de ser a primeira vez fora de casa, convivo muito bem com o fato de estar longe de tudo e de todos há quase 7 meses. 

O amor pela família continua, com os amigos, a amizade é a mesma, mas saudade ainda não é um problema. Também, como passei o natal com vários amigos da UFRB, em Bordeaux e o Réveillon em Paris, ficou fácil superar a distância do Brasil, mesmo não tendo nada na Torre Eiffel, nem contagem regressiva nem fogos… Nada! Passou longe da euforia e festejos de Copacabana, São Paulo, Salvador.

Mar Adriático, Croácia.

UPA: Essa experiência de morar um ano no exterior sempre foi um sonho? Está sendo como você imaginou?

IN: Parafraseando a mim mesmo com a descrição do meu álbum no Facebook, eu diria: “Nunca foi um grande sonho, mas está se tornando realidade”. Definitivamente eu nunca tinha pensado muito a respeito, mas sempre quis aprender um idioma e se pudesse viver fora do país, seria ótimo. Depois de duas tentativas de intercâmbio que não se concretizaram, cheguei a pensar, mesmo depois de aprovado pra vir pra Hungria, em não fazer mais a mobilidade enquanto aluno de graduação. Seria o maior erro da minha vida! 

Bem, como não tinha mesmo um sonho, e muito menos pensei em um dia pisar na Hungria, tive muitas surpresas, mas não dificuldades para me adaptar. Diferenças culturais é o processo natural, e alguns hábitos pra nós incomuns podem sim incomodar… Mas isso ocorreria em qualquer lugar. Enfim, não tenho nenhum arrependimento de ter “caído” aqui. Gosto muito de Budapest. Acho a cidade linda, organizada, atraente e com bastantes possibilidades para entretenimento. Apesar de todos os problemas que o país enfrenta, tem sido uma experiência bastante interessante viver aqui e conhecer sobre a cultura e história que é muito rica… Só não tá rolando de aprender a língua, mas até o frio eu curto muito. 

Na parte acadêmica criei algumas expectativas, mas as coisas não estão tão interessantes quanto eu gostaria, mas a culpa não é minha e nem dos húngaros. Infelizmente não pude escolher as disciplinas que estou cursando e em alguns momentos o tempo gasto na universidade passa longe de contribuir efetivamente com minha formação e atingir alguns dos objetivos do programa. Eu sei que essa não é uma situação comum, mas no caso da minha universidade eles informaram que isso faz parte do acordo com a Capes. Ainda não entendo muito o porquê, mas independente disso estou extraindo o máximo da experiência acadêmica também. 

Em Bordeaux, França.
 

UPA: Bom, nem tudo pode ser perfeito, né? Mas pelo que você falou, o saldo está sendo muito positivo. E dentro desse conjunto, qual foi a melhor coisa que a Europa te deu? E quando pensa em sua volta para o Brasil, o que você sente é mais ansiedade ou temor?

IN: Não dá pra mencionar uma única coisa como a melhor. O ganho cultural, as viagens, a oportunidade de melhorar o inglês, a inserção numa nova cultura, experimentando do estilo de vida deles, além da vivência acadêmica, tudo está sendo muito válido e agrega valor à bagagem que estou acumulando e que vou carregar para resto da vida. O fato de morar longe de casa e todas as experiências que vivencio aqui têm ajudado muito a amadurecer, abrir minha mente e enxergar o mundo com outros olhos. Acho que esse é o melhor legado que vou levar daqui.  

Na verdade, eu não penso na minha volta pro Brasil porque ainda não quero voltar (risos). Mas, quando lembro que dia 1º de setembro estou de volta em terras tupiniquins, começo a pensar quão difícil poderá ser me readaptar viver por lá. Os serviços públicos precários, excesso de burocracia pra tudo, transporte público ineficiente (sem metrô, sem ônibus pontual, sem tram e sem trem), motorista que não dá preferência aos pedestres, sem áreas verdes e de lazer, ser obrigado a ouvir as músicas do vizinho, o medo por conta da insegurança nas cidades… Bem, definitivamente não tenho ansiedade por voltar a viver nessa condição de vida novamente.

Bate-volta, Jogo Rápido
Basílica de St. Stephen, Budapeste.

Solidão: Já senti e não é bom.

IAENE (Colégio interno): 13 anos que fizeram toda a diferença… Muitas experiências, amigos, lembranças e saudade.

Universidade Federal do Recôncavo da Bahia: Onde eu finalmente descobri “o que eu quero ser quando crescer”.

Aulas de geografia do pai: As melhores que já tive. Fichamento, Jogo Pedagógico, Autódromo,… Quem foi aluno dele sabe como isso era diferente (positivamente)!

Comentários de mãe no Facebook: Pula.

Altura: Meu bullying quando era pequeno.

Uma série de TV: The Big Bang Theory.

Dois lugares na Europa que te deixaram pensativo: Gödöllő e Bordeaux.

30º ou 0º? Abaixo de 0º, pode ser?

E para terminar, o que diria a um amigo estrangeiro que quer vir ao Brasil durante a Copa do Mundo? “Cara, vai ser uma viagem fantástica. Talvez você não perceba o país como ele o é normalmente por causa da Copa, mas independente disso o Brasil tem muita coisa boa pra você conhecer e curtir em uns dias de folga. Gente bonita, alegre, receptiva e criativa você vai encontrar em todos os lugares. 

Finalmente você vai poder conhecer as tão famosas praias brasileiras, o Rio, São Paulo, Salvador e Brasília, talvez, mas dificilmente você vai ver ‘Amazônia’, muito menos cobra no meio da rua (Risos). Favelas você vai ver algumas, e realmente pode ser perigoso, mas você não precisa ir lá. Seja cuidadoso ao sair pra turistar e tenha paciência para se locomover pelas cidades, o transporte público realmente é bem diferente do que você está acostumado. No mais, qualquer estresse e dificuldade, vá pra praia e peça uma água de côco. Ah! Não se esqueça também de comprar umas havaianas quando voltar”.

Uzi Por Aí: Você tem uma fixação por Havaianas, né? (Risos). Pela sua entrevista deu pra perceber também que você é muito responsável e bastante centrado, apesar da pouca idade. Isso me parece reflexo de uma boa criação e mostra como a presença da sua família realmente foi positiva em sua formação. O que para mim não é surpresa. 

No tempo de colégio, nós nunca fomos amigos e nem tínhamos contato, porque você era de outra série e de outra idade, mas eu conhecia bem o seu pai, que também foi o meu professor. E é engraçado porque eu vejo muita coisa dele em você: a questão dos valores morais, o jeito de discursar. Algumas de suas respostas pareceram aulas de geografia, por exemplo. Espero que os seus últimos meses na Europa sejam ainda mais proveitosos e que sua vida acadêmica seja próspera. Mais uma vez, obrigado pela entrevista.

E aos leitores, até a próxima.

Israel Neto curtindo a paisagem panorâmica de Budapeste.

Categorias: Entrevista na Alfândega, Hungria

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  1. Isac SoaresResponder

    Gostei muito da idéia do blog Uziel, e legal também ver o “Netinho” contando suas experiências. Estou me programando pra também viajar e crescer um pouco mais culturalmente pois isso me encanta, ainda bem que minha esposa apoia tudo rs. Um abraço Uziel.

    • Uziel MoreiraResponder

      Isac, se a esposa apoia, então agora é só juntar uma grana. Se for pra Europa e precisar de alguma orientação é só falar. Abraço.

  2. Uziel SantosResponder

    Isac, se a esposa apoia, então agora é só juntar uma grana. Se for pra Europa e precisar de alguma orientação é só falar. Abraço.