A história verídica do músico negro que foi sequestrado e vendido como escravo é impressionante. Somente este argumento já seria o suficiente para que o filme chamasse atenção. Porém, o diretor Steven McQueen vai além e conta essa narrativa de um modo bastante diferente do esperado para uma produção norte-americana.

Cartaz do filme.

Cheio de silêncio e impregnado de pessimismo, o filme chega a incomodar a quem espera por uma solução mais glamorosa. Tudo acontece no seco, até mesmo os momentos de felicidades são comedidos para que o espectador não caia na tentação de exibir um sorriso que seja. Há também muitos planos abertos e longos a fim de imprimir naturalismo.

No entanto, apesar do esforço em fugir do otimismo frequente que existe em produções desse gênero, há detalhes que destoam da proposta. A bela fotografia, por exemplo, dá uma sensação de leveza e limpeza que não condiz com o sofrimento apresentado. Talvez esse paradoxo tenha sido proposital, mas ainda assim, parece não ter funcionado.

Além da direção engajada, as interpretações também merecem destaque. Chiwetel Ejiofor está seguro na função de protagonista, tanto é, que concorre como Melhor Ator. Mas verdade seja dita: Tom Hanks, que não foi indicado, merecia esta vaga, afinal, sua atuação em “Capitão Phillips” é superior. Quem realmente brilha no elenco é o antagonista vivido por Michael Fassbender. Há chances reais dele levar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante. Seu vilão é um dos personagens mais sádicos dos últimos anos. Chega a lembrar o nazista Amon Göth, interpretado por Ralph Fiennes em “A Lista de Schindler”.

“12 Anos de Escravidão” não entrega uma catarse como faz “Django Livre” e nem esperança como em “O Mordomo da Casa Branca” (esnobado injustamente pelo Oscar), mas cumpre sua função de mostrar um triste episódio da humanidade que precisa ser revisitado para não ser esquecido e muito menos repetido.


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