Em 2013, a nova queridinha dos Estados Unidos, Jenniffer Lawrence, granhou o seu primeiro Oscar pelo filme O Lado Bom da Vida”, do diretor David Russell. Muito se falou em injustiça, já que na mesma categoria concorria ninguém menos que Emmanuelle Riva por sua interpretação antológica em “Amor”, de Michael Haneke. O mais curioso é que das 8 indicações que recebeu, a comédia protagonizada por Jennifer levou apenas o prêmio de Melhor Atriz.

Com este acontecimento, Russel dá mostras de que aprendeu a lição: um filme normal pode parecer maior se tiver artistas queridos pelo público.  E é assim que em “Trapaça” (American Hustle), o diretor reúne um elenco tão carismático e competente que o fraco roteiro parece melhor do que realmente é.

Nos anos 70, Irving e sua amante são dois vigaristas que após serem pegos por um agente do FBI passam a cooperar com a lei para capturar políticos envolvidos em corrupção.Baseado em alguns fatos, como é informado nos créditos iniciais, a história é simplesmente isso. Logo, o que realmente segura o espectador é o supérfluo da ação, isto é, o tom “almodovariano” das personagens interpretadas pelas estrelas preferidas da massa.

Christian Bale mais uma vez se metamorfoseia, desta vez, ele aparece barrigudo e careca. As transformações físicas do ator já virou tradição em sua carreira. E não há nada que conquiste mais o público do que um aparente desapego estético por parte de um galã. Além disso, ninguém pode negar que Bale é um dos melhores atores de sua geração. Ao lado dele, temos Amy Adams, a pobrezinha que sempre concorre e nunca ganhar. Este histórico de derrotada já seria o suficiente para que todos torcessem por ela. E de mais a mais, ela realmente está bastante segura no filme.

Somando a estes, tem-se Bradley Cooper e Jeremy Renner com penteados e personalidades inconstantes, e ainda, a queridinha Jennifer Lawrence interpretando a esposa controladora, agressiva e inconsequente. Assim, o elenco rouba todas as atenções, mas não de um modo cinematograficamente positivo, pois ao invés de envolvermos com os personagens, o que de fato acompanhamos é o modo como os atores estão agindo naquele contexto.

Jennifer Lawrence e Amy Adams na cena preferida dos fãs da loira.

Esta é uma linha tênue que embora faça diferença, consegue enganar espectadores, fazendo-os crer que o filme é tão bom quanto as interpretações. Das 10 nomeações ao Oscar dadas a “Trapaça”, não se surpreenda se o filme ganhar apenas nas categorias dramatúrgicas.


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