Nesse último mês de maio, não postei nada e essa falta de atualização se deve a um mochilão de 30 dias que fiz pela Europa. Como estava sozinho, pensei que em algum momento de tédio escreveria algo, no entanto, a solidão não me deixou entediado em nenhum momento.

Embora estivesse viajando pelo mundo afora, ao total foram 8 países, paradoxalmente, desliguei-me do mundo. Sem um chip universal, só disponibilizava de internet quando estava no quarto. Além do mais, não tenho muita paciência para Whatsapp, Instagram. Meu único contato com o Brasil foram os e-mails diários que mandava para a minha mãe e algumas fotos que postava no Facebook antes de dormir. Nem sequer me dei ao trabalho de ligar para ninguém.

Em teoria, foi a viagem mais solitária da minha vida, mas ao mesmo tempo, foi a que menos me senti sozinho. Acompanhado de si mesmo, você acaba exercitando o autoconhecimento e esta ação lhe permite encontrar respostas para inquietações, aumentar a percepção e o poder de organização espiritual, além de lhe possibilitar conhecer pessoas, as quais não conheceria se estivesse acompanhado.

Muitos manuais aconselham o viajante solitário a se hospedar em Hostels. Já me hospedei em muitos, no Chile, no Perú, na Espanha. Porém, não gosto de dormir com gente desconhecida, mania de quem mora só desde os 15 anos. E quarto privado em hostel já não é tão barato. Uma opção para quem gosta de privacidade e um mínimo de conforto na hora de dormir, sem abrir mão de preço barato e de possibilidade de conhecer outras pessoas, é o Airbnb. Já escrevi sobre esse sistema em que você se hospeda na casa denativos.

Nessa última viagem, fiquei em 10 hospedagens pelo Airbnb. Fazer amizade com o anfitrião é fácil, sem contar que também pode haver mais hóspedes na casa. Outra vantagem, é que diferente de hostels onde você irá conhecer mais turistas, no Airbnb você conhecerá a vida normal dos nativos. Em Barcelona, por exemplo, me hospedei dois dias na casa de Milena, uma colombiana, que vivia há muitos anos na Espanha. Demo-nos tão bem que quando regressei a Barcelona, mesmo não tendo vaga na casa dela, marcamos de nos encontrar para comer uma pizza. Ficamos juntos das 7 à meia-noite e meia.

Eu e Milena na Torre Agbar.

Assim como você, outros turistas também estarão longe de tudo e de todos, com vontade de conversar, trocar informações e experiências de viagem. No trem de Dresden para Praga, conheci um casal de Belém do Pará, que mesmo estando em lua-de-mel, queria se relacionar amistosamente. No trem de Praga para Viena, sentou do meu lado uma brasileira que fazia o mesmo roteiro que eu.Passamos às 4 horas do percurso conversando. Talvez por sermos desconhecidos, falamos de coisas que não contaríamos aos mais próximos. Foi uma terapia para os dois. 

Como brasileiro tem em todo lugar, ao menos uma conversa rápida com um, você acabará tendo. Foi o que aconteceu em Praga, quando pedindo informação conheci três professoras do Ceará. Até pedindo para alguém tirar uma foto sua, você faz uma amizade rápida de viagem.

Eu e as professoras cearenses em Praga.

Mas não é apenas brasileiros que cruzará o seu caminho. No ponto de ônibus em Bruxelas, fui pedir informação a uma moça e mesmo não falando a mesma língua demo-nos tão bem, que ela me convidou para sair. E por coincidência, eu estava hospedado próximo da casa dela.

Eu e Simona em frente a casa dela.

O mundo também é pequeno. Ainda em Bruxelas, encontrei-me com Brisa, com quem fazia peças teatrais na Bahia. Você pode conferir uma dessas peças clicando aqui. Ela casou com um pastor que foi fazer uma semana de oração na igreja de brasileiros e lá nos vimos.

Eu e Brisa em Bruxelas.

 Já em Amsterdã, encontrei-me com Maria Helena no Parque Keukenhof. Conheci-a em Cusco em 2012, nós dois estávamos sozinhos. Em 2013 passei alguns dias em sua casa na Suíça e novamente nos reencontramos, passando um dia agradável na Holanda. 

Eu e Maria Helena no Keukenhof.

Em Berlim, reencontrei Munique, de quem já falei aqui no post sobre Albufeira e também no Entrevista na Alfândega Especial, no qual ela fez um desabafo sobre como é morar na Europa.

Eu e Munique tentando pular o Muro de Berlin.

Já em Budapest, mesmo sem combinar nada, hospedei-me a duas ruas de onde mora Israel Neto, um estudante brasileiro que entrevistei aqui no blog. Veja como é o mundo.

Neto e eu frente ao Parlamento de Budapest.

No mais, para não sentir solidão, levei as músicas que gosto no mp3, baixei as séries que acompanho, passei o voo da Ryanair vendo Games Of Thrones. Observei e aproveitei cada lugar em que fui e quando dei por mim, infelizmente, a viagem já tinha acabado.

Viaje sozinho e aprenda a desfrutar de sua própria companhia. Verás pelo caminho que a solidão não existe.


Categorias: Dicas

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  1. Carla GizeliaResponder

    Gostei muito das dicas, pretendo viajar sozinha para o Perú.
    As vezes tenho medo, sei lá, nunca viajei sozinha antes, mas sei que meu medo não é maior que a minha coragem, kkkkkkk…
    Concordo muito com sua dica final;
    “Viaje sozinho e aprenda a desfrutar de sua própria companhia. Verás pelo caminho que a solidão não existe”.
    Os desconhecidos são como pontes para mim, kkkkk…. Solidão é algo que não cultivo nunca.
    Ótimas dicas …

    • Uziel MoreiraResponder

      Obrigado, Carla. Pois pode viajar sozinha sem medo. hehehe. Tomando cuidado não acontece nada. E você vai gostar do Perú. É um país inspirador.

  2. LisResponder

    Adorei o post! Ajuda ser extrovertido, e parece q vc eh assim. Eu viajei sozinha e gostei muito, principalmente da parte que vc se conhece melhor, faz o q quer etc. Mas eu n me sentia tao a vontade pra conversar com os outros. Acho q eh um bom exercício!!!

    Gradlifeaucanada.blogspot.ca

    • Uziel MoreiraResponder

      Com o tempo você vai se acostumando a conversar com qualquer pessoa. Nem que seja com você mesma Eu, por exemplo, falo sozinho o tempo inteiro. rsrrs.
      Abraços.

  3. VictorResponder

    Uziel, como vai?

    Primeiro, parabéns pelo blog!

    Estou preparando um mochilão pela Europa. Na 2a parte dele (França / Bélgica / Alemanha), quero me hospedar em casa de nativos. Vc já se hospedou em casa de nativos via couchsurfing? Se sim, pode me dizer quais as diferenças (pros e contras) que vc notou entre usar couchsurfing e airbnb?

    Como li em algum lugar do seu blog, caso vc me convide para me juntar ao airbnb, tenho um desconto de, se não me engano, 15%. Verdade? Se sim, pode me convidar?

    Valeu e grande abs

    Victor

    • Uziel MoreiraResponder

      Oi, Victor. O posst que você viu com o link do cupom é esse:
      http://www.uziporai.com.br/2013/07/dica-de-viagem-como-encontrar.html

      E o link direto para vc se cadastrar e ganhar o vale é esse: https://www.airbnb.com.br/c/usantos?s=8

      Não é bem um desconto, na verdade é um cupom de 22 euros, então já é tipo uma diária dependendo do lugar que você escolher.

      Sobre o Airbnb, você já deve ter lido esse post que coloquei, né? E aí eu falo da minha experiência lá. Agora sobre couchsurfing, eu não posso falar, nunca me hospedei.

      O que eu posso dizer é que eu já tentei, mas não me pareceu muito fácil, porque tipo, você pode acertar dormir uma noite na casa de uma pessoa, e do nada ela resolve viajar, ou acontece algum problema e vc fica na rua. No Airbnb, há mais segurança nisso. Também tem a questão da pessoa no Couch ir com a sua cara, não é só pedir abrigo, tem toda uma questão de conquista, não sei… Acho meio burocrático e inseguro demais..

      Qualquer coisa é só falar.

  4. AndréResponder

    Cara, parabens pelo site! Nao me canso de ler as postagens, e conheci o site recentemente!
    Alem de poder ouvir experiencias muito legais, voce tambem sabe escrever muito bem, amenizando pessoas que tem medo ou receio de viajar sozinho, como eu.
    Se possivel gostaria de lhe pedir duas coisas, a primeira seria; Se tivesse que escolher pela primeira vez, faria um intercambio ou um mochilao? Intercambio pesquisei Irlanda, ou Vancouver no Canada, Irlanda possibilita viajar nos fins de semana, mas continua limitado. E o mochilao, diferente do intercambio estou tendo dificuldade em estipular valores, pra saber tambem se cabe no bolso. O periodo é de 30 dias.
    E a segunda, mesmo os roteiros sendo particulares, voce poderia me passar o roteiro desse seu mochilao de 30 dias?
    Muuito grato!
    Um excelente ano novo e continue fazendo esse trabalho fantastico que me mostrou ate novo valor nas coi$a$.
    Abraco!

    • Uziel MoreiraResponder

      Oi, André. Obrigado pelo elogio. A vida já é tão difícil que eu acho que a gente precisa elogiar mais as pessoas. Esse é um dos meus objetivos para 2016: criticar menos e elogiar mais. Rsrs.

      Sobre sua primeira pergunta: eu nunca fiz um intercâmbio em si, mas costumo chamar a minha primeira viagem à Europa de intercâmbio porque a dinâmica foi de intercâmbio. Tipo foram 3 meses em que só conheci 3 países. Para mim foi importante começar assim porque pude ir entendendo como funcionam as coisas. A parte boa de ir para a Irlanda é que se pode fazer um mix: ter a calma de um intercâmbio com umas pitadas de mochilão nos fins de semana como você falou.

      Já sobre o roteiro do último mochilão de 30 dias pela Europa, foi assim: Barcelona, Bélgica, Amsterdam, Berlin, Dresden, Praga, Viena, Bratislavia, Budapest, Barcelona.

      Aqui no blog, se você olhar os posts na ordem dos lugares, estará todas as informações, porém talvez seja muita informação para encarar sem conhecer a dinâmica do continente. Até mesmo no sentido de explorar cada cidade. Quero dizer, explorar bem um lugar em pouco tempo é algo que também precisa ser aprendido, e nesse sentido um intercâmbio dá uma verdadeira lição porque você entra em contado com pessoas “viajantes” que vão te ensinar de forma indireta a viajar no ritmo de um mochillão. Mas também não é uma regra, depende muito das experiências de vida que você já passou. Eu quando fui pra Europa pela primeira vez, era um completo caipira, uma porta de tão burro no que se refere a vijar. A parte boa é que uma vez estando lá se aprende mais rápido do que se espera. Abraço.