Quando ainda estava em São Paulo quebrando a cabeça com a minha dissertação, resolvi tirar um dia para não pensar em nada referente ao mestrado.

 Havia lido que Paranapiacaba era um lugar perto da capital, cheio de verde e com uma arquitetura que lembrava a Inglaterra do século 19, então era tudo que precisava para fugir um pouco dos prédios que já estavam começando a me sufocar.

 Como Chegar

O plano era acordar bem cedo, o que não aconteceu. Cheguei à estação Barra Funda às 11 horas e fui até a estação do Brás, de onde fiz uma “baldeação” da linha vermelha do metrô para a linha turquesa da CPTM, pegando o trem em direção a Rio Grande da Serra, estação final na qual teria que descer.

O percurso durou cerca de 1 hora e meia, afinal, o trem da CPTM é um pouco devagar e são muitas paradas durante o caminho. Outra opção seria tomar o trem turístico que sai da estação da Luz ou da estação Prefeito Celso Daniel –Santo André, no entanto, esse passeio custa cerca de 35 reais por pessoa, enquanto indo por conta própria, todo o percurso sai por 12,80 ou 9,80 para quem paga meia no metrô.

Maria Fumaça levando turistas.

No expresso turístico, a duração do percurso é quase a mesma, com a vantagem de que há um guia explicando toda a história do lugar, além do desembarque ser feito na estação da própria vila, enquanto indo de trem normal, ainda é preciso tomar um ônibus coletivo que leva 15 minutos até a parte histórica.

 Da Estação Rio Grande da Serra  à Vila

Saindo da estação Rio Grande da Serra, o ponto de ônibus está do outro lado da linha do trem. A passagem custa 3,40. E atenção, porque o bilhete único da capital não serve. De 15 a 20 minutos, aparece um bus com destino à vila. No trajeto de 15 minutos, é possível já ter uma ideia do que lhe aguarda: muito verde, neblina, pessoas fazendo trilha. O percurso só não foi mais agradável porque o transporte é pequeno, sujo e mal conservado.

Trilheiros no ônibus.

Não sei se tive sorte ou azar, mas o dia estava muito nublado, com muita neblina e de hora em hora caia uma chuva forte. Comecei a andar pela cidade quase sem enxergar nada. Mas o mal tempo não estragou a viagem, pelo contrário, fez com que eu gostasse ainda mais. Sendo Paranapiacaba um verdadeiro cemitério de locomotivas, uma vila quase abandonada e fantasma, o tempo fechado fez com que eu realmente me sentisse em algum lugar inóspito da Inglaterra. Nem parece que estava apenas a 60 km da capital.

Neblina da chegada.
Foto sem filtro.

 Atrações

A vila é minúscula, mas cheia de charme e tensão. Andar pela ponte com a neblina cobrindo tudo me colocou como parte de um filme de suspense. Observei a torre da estação que lembra o “Big Bang”, as casinhas em estilo vitoriano e o castelinho no alto da colina, que nada mais é que um museu, o qual infelizmente não tive a sorte de encontrar aberto, pois fecha às 4 da tarde. 

A Torre Big Bang
Torre à la “Big Bang”.

Janela de madeira e chuva.
As casas.
Castelinho de perto.
O Castelinho de longe.

Além de andar por Paranapiacaba sem pressa, outra atividade foi visitar o museu das locomotivas, o cemitério de trens. A entrada custa 4 reais e vale a pena, pois é um cenário bastante rico para fotos e reflexão, principalmente se pegar um dia de neblina, algo frequente por lá.

Museu da locomotiva.
Cemitério dos trens.
Neblina e abandono.
Estação fantasma.

Paranapiacaba também pode agradar e muito aos que gostam de trilhas. Vi muita gente com roupa apropriada para este tipo de esporte. E há trilhas para todos os níveis de dificuldade. Obviamente, não fiz nenhuma porque não fui lá para ecoturismo e sim, para turismo cultural, mas fica a sugestão para quem gosta.

Considerações

Percebi que o governo e os habitantes ainda não souberam tirar proveito dessa vila que poderia ser um bate-volta “obrigatório” para quem está de passagem por São Paulo, porém o lugar é praticamente desconhecido até mesmo por quem mora na capital. Falta divulgação e investimento local.

A Igreja.

Mesmo sendo um bom destino para se conhecer, não dormiria lá porque quase não há opções de restaurantes, como também as opções de hospedagem são quase nulas. Geralmente, os aventureiros dormem na casa de nativos que alugam quartos. Outro ponto negativo é que não há atividade noturna nenhuma, talvez com exceção do período em que ocorre o Festival de Inverno, realizado nos meses de junho.

É realmente uma pena e até incompreensível que Paranapiacaba seja tão pouco aproveitada, pois o clima é ótimo, a arquitetura é interessante, a história do lugar é curiosa, os cenários são pitorescos, poderia ser uma espécie de Campos do Jordão versão britânica e muito mais acessível.

Já passou da hora dessa vila perdida ser encontrada.


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