Demorou, mas enfim chegamos à edição de setembro. No mês passado, no lugar das estrevistas, tivemos o “Sua Foto” com a italiana Virgina López e agora regressamos para conversar com mais um viajante que andou bem distante do Brasil.

Imolo Arruda, 30 anos, é natural de Porto Velho, mas vive hoje em São Paulo. Antes porém de chegar à terra da garoa, Imolo morou por seis anos na Bolívia, onde se formou em designer gráfico. Ao término da graduação, resolveu que iria aprender inglês na Oceania, mais precisamente em Auckland, capital da Nova Zelândia. 

Uzi Por Aí: Pois muito que bem, Imolo. Quero te agradecer por ter aceitado me conceder esta entrevista, afinal, há tempos eu queria entrevistar alguém que tivesse andado pela Nova Zelândia, porque é um país que cada vez mais se torna uma opção de intercâmbio para os brasileiros. Ma aí eu pergunto: porque mesmo sendo menos conhecido, com um custo de passagem alto, você resolveu ir para lá, ao invés dos EUA ou Irlanda?

Imolo Arruda: Resolvi ir para lá porque é um país mais interessante, exótico, mais distante, é o segundo país menos corrupto do mundo, com melhores oportunidades de estadia. A cidade onde fiquei, Auckland, é a quinta melhor cidade do mundo para se viver, e claro, é o país dos esportes radicais!

Visão de Auckland.

UPA: Você e seu irmão são muito unidos, quando ficaram rapazes foram fazer faculdade na Bolívia, hoje em dia moram juntos em São Paulo e eu fico imaginando: como foi esse um ano na Nova Zelândia distante do irmão, da família? Houve uma dificuldade de se adaptar a isto, ou apesar de sempre morarem juntos, você é mais desapegado às pessoas do que parece?

IA: Sinceramente, quando cheguei lá, era tudo novidade e eu estava achando demais, assim no começo estava desapegado mesmo, só depois de 3 meses é que comecei a ter mais contato com a família, mas com meu irmão era umas 3 vezes por semana, realmente somos muito unidos! Curtia lá e enviava as fotos pra ele direto!

UPA: Você morou em Auckland, que é a maior cidade do país. Direto ao ponto: o que lá tem de bom, o que tem de ruim? E eu pergunto no sentido de quem vai para morar e também para quem vai apenas como turista.

IA: Auckland é interessante demais, uma cidade tranquila e muito turística, ela localiza-se sobre um vulcão e há um grande número de gêiseres no local.

Auckland possui vários aspectos positivos. Um deles é seu clima, que é considerado um clima ameno, outro é a qualidade de vida sendo listada entre as 215 maiores cidades do mundo. Em 2006, Auckland ocupava a 23ª posição na lista das cidades mais ricas do mundo. A cidade tem numerosas instalações de lazer além da abundância de empregos e oportunidades educativas. Entretanto, há problemas de trânsito, a falta de bons transportes públicos e o aumento dos custos da habitação são os fatores negativos que podemos ver, apesar de todos eles serem 3 vezes melhor que de São Paulo.

A mudança do fuso horário é o lado negativo na primeira semana, eu dormia às 18 horas, pois ficava com muito sono, e gripei durante uma semana porque não era acostumado com o clima.

Gêiseres.

UPA: Você trabalhou em muita coisa por lá. Dá para ganhar bem, fazer um pé de meia, o suficiente para ficar viajando, ou o que se paga ao imigrante é muito pouco? Dos trabalhos que você fez por lá, qual foi o melhor e qual o pior?

IA: Bom, eu fui com visa de estudante de um ano para lá, não tinha permissão para trabalhar, mas mesmo assim, trabalhei, limpando, pintando paredes e tetos de casas, entregador de cartas. O pior trabalho foi limpar uma prisão vazia… Que de suja não tinha muito. O melhor trabalho foi trabalhar em minha área de designer gráfico, para brasileiros e para os neozelandeses e, como ilustrador também, até hoje trabalho pra eles!

Trabalhando na rua.

UPA: Uma das coisas que me desencoraja de ir para o outro lado do mundo é o tempo de voo. O voo foi difícil, ou mais tranquilo do que imaginou?

AI: Mais tranquilo do que eu imaginei, pois ir de avião sempre é tranquilo para mim, foram 12 horas de voo de São Paulo à Auckland.

UPA: Como são as mulheres na Nova Zelândia? O que elas têm de diferente das brasileiras?

AI: Elas são muito bonitas, você vê de tudo também. Lá tem muita mistura de raça, mas em geral elas são brancas, loiras, morenas, cabelos lisos, cacheados…. Enfim, são lindas como as brasileiras, mas claro que as brasileiras são mais calorosas, apesar de que as neozelandezas são carinhosas também e beijam muito bem (risos)…. Tá bom, melhor parar por aqui.

UPA: Embora a Oceania esteja sendo mais destacada, acredito que lá teve ter muito menos brasileiros do que outros destinos. Isso procede? E tendo menos brasileiros, aprende-se inglês mais rápido? Quanto tempo você demorou para falar e entender bem?

AI: Isso procede, mas tem muitos brasileiros lá e eles são muito unidos e se ajudam muito. Sim, você aprende inglês mais rápido, é como qualquer outro pais, se você andar com os nativos sim, senão, não! Cheguei zero inglês e demorei um mês para me adaptar a falar, pois estudei muito! Agora para entender bem, levou dois meses!

Praia com os amigos brasileiros.

 UPA: Você teve duas experiências de moradia em Auckland: dividindo apartamento com outros estrangeiros e morando em casa de família. De qual delas gostou mais? Chegou até desentendimentos em alguma dessas moradias?

AI: A família, porque eles eram religiosos também, batistas, muito unidos e muito aventureiros. Na primeira semana fiz várias viagens com eles, até hoje tenho contato com eles e um carinho especial também. Morei com vários estrangeiros entre eles, árabes, gregos, japoneses, taiwans, chineses, neozelandeses, brasileiros, sul africanos… 

De tudo um pouco, mas tive sim meus desentendimentos com eles nos apartamentos porque dividíamos as coisas… É difícil não ter desentendimentos, mas é uma boa experiência.

Com a família nativa.

UPA: Voltar ao Brasil após um ano no primeiro mundo foi difícil, ou pelo contrário, você sentiu alívio em voltar para casa? Hoje em dia morando em São Paulo, quando lembra de Auckland, o que é que se sente? Porque deve ser uma vida, um ritmo bem diferente. Tem saudade daquele outro Imolo?

AI: Sim, eu voltei direto para São Paulo e aqui estou há três anos, mas quando voltei me senti mal, após um ano e meio lá não foi fácil para mim, já tinha uma vida lá, empregos, amigos, um irmão mais velho baiano porque assim o vejo, e estranhei tudo, comecei a falar mal do Brasil, falei muito mal do transporte de Sampa, da estrutura, até brinquei: “esta é a grande São Paulo?” (risos)… Foi muito impactante e gritante a mudança… 

Tenho saudades daquele outro Ìmolo sim, magrinho, mas com inglês na ponta da língua (risos). Porém após viver três anos aqui posso dizer que amo Sampa! E a saudade de Auckland é demais, já me preparando para voltar a visitá-la em 3 anos! Não tem como comparar um país de primeiro mundo com um subdesenvolvido. Quando voltei senti alívio sim, somente por rever a família, porque vim para uma cidade grande que também não conhecia ninguém nem nada, estou há quatro anos e meio sem ir a Porto Velho.

Bate-volta, Jogo Rápido

Porto Velho: Adolescência.

Pulando da ponte.

Praça da Sé: TOP (kkkk). Sem comentários! Piada!

Intercâmbio: DIVINO.

Capão Redondo: NAMORADA LOVE.

Santa Cruz de La Sierra ou Cochabamba? Santa Cruz de La Sierra. 

Um sonho: Viajar o mundo inteiro.

Dois pesadelos: Perder a salvação e não honrar a Cristo, pois é o sentido da vida!

Três lugares que todo o mundo devia conhecer: AUCKLAND, SANTA CRUZ DE LA SIERRA E PORTO VELHO (1º mundo, 2º mundo e 3º mundo). (KKK).

Tem certeza que Santa Cruz é 2º mundo? (Risos). A pior comida que já provou: Uma comida neozelandesa com abacate. Horrível, nem me lembro o nome. Ou carne de carneiro!

Imolo se jogando da Auckland Bridge – 40 metros.

E para terminar, o que diria para alguém que está próximo de completar 30 anos de idade? VIAJE muito, curta, aproveite se puderes e procure na internet as 10 coisas para se fazer antes dos 30!

Uzi Por Aí: Você sabe que eu completei 27 anos nesses dias e andei pensando nisso: “daqui a pouco faço 30 e minha vontade de viajar e curtir não passou”. Mas ouvindo o seu discurso, eu fiquei aqui analisando: será que realmente tem um tempo para acabar? Você me passa a impressão de que não. E mais, de que não há problema em continuar se aventurando, curtindo. Não é por fazer coisas radicais que você seja imaturo, pelo contrário, você luta como todo o mundo para se manter, tem responsabilidades, mas ao mesmo tempo não perde a graça e nem o espírito libertador. Acho que isso é um dom… E é um dom que inspira. Outra vez, muito obrigado.

E a você leitor, espero-o na próxima edição. Até lá.

Categorias: Entrevista na Alfândega

Deixe seu comentário

  1. katiaCorreiaResponder

    Ficou fantástica a matéria! Parabéns.
    Imolo Arruda, Capão City te espera! 😉
    #EspiritoLibertador
    Definição perfeita! <3