Fim de ano é tempo de reflexão, união, compaixão e também de conselho de classe. Professores e seus superiores se trancam para definir o futuro da nação. A primeira da lista é Acéfala de Oliveira do 1º B de barulhento. Caso complicado, pendência em 5 disciplinas. Hora de votar. Antes, porém, a diretora pede a palavra para destacar o fato da aluna ter tirado 10 em educação física nas quatro unidades. Agora sim, repete ou passa? A mãe paga os livros do 2º ano.

Next: o coração da teacher dispara ao ouvir o nome de Atentado Cavalcante, aluno que perdeu em três matérias; 3 em Inglês, 2 em Matemática e 2 em Português. O inglês a gente desconsidera, próximo ano ele aprende o To Be melhor, já as demais entram no grupo dos cinco pães e dois peixinhos, bendita multiplicação.

Pereza Hernandes do 3º D de desinteressados tirou 5,3 em seis disciplinas. A coordenadora propõe pela aprovação, afinal, faltou pouco para ela atingir a média da mediocridade. Narciso, o professor de Biologia, protesta. É um absurdo passar essa menina que quando não está dormindo, está lixando as unhas. A diretora levanta a sobrancelha, intimidados a maioria vota pela aprovação e no novo horário o professor de Biologia perde a manhã que tinha livre às quartas-feiras.

No ano seguinte voltam os perdidos cientes que não há nota vermelha que os façam parar de avançar. Mais desrespeito, despreparo e destempero. Não há limite em casa e nem pode haver punição na escola. Tudo virou bullying. Qualquer erro tem explicação: é DDA, TDAH… E haja PCI para lidar com tanto laudo.

Junta-se então a idade, a liberdade, a proteção e a escola passa a ser reflexo desse mundo cão, no qual os docentes já não têm esperança de fazer a diferença e nem condições humanas de preparar uma aula diferente após sobreviver ao seu expediente.

Soma-se a isso o fraco desempenho dos discentes, o onipresente desinteresse e o patológico déficit dessa geração. Mas nada disso é levado em conta, quando algo dá errado é mais fácil jogar o mal da educação nas costas do professorado. Todos já estão calejados e acostumados. Na particular são os clientes que têm razão e na pública é sabido que o que importa é o número de aprovação. Qualidade é mito.

As estrelas já caíram. Segundo a Nasa, a culpa também é dos professores. Minto que o magistério continua lindo.


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