Recentemente, postei aqui no blog o meu discurso de formatura para ajudar os oradores que não sabem por onde começar. A postagem acabou me fazendo recordar desse período que, embora não esteja tão distante, parece que foi em outra vida.

Lembro-me, com mais nostalgia do que queria, como foi o primeiro dia de aula naquele fevereiro de 2007. Fizemos um tour pelo campus enquanto amizades eram feitas. Por afinidade, os grupos se formaram e com o passar do tempo as panelinhas se fecharam.

Havia momentos em que as tribos se reuniam na mais perfeita harmonia, já em outras ocasiões inimizades mascaradas surgiam. Com mais de 40 na mesma classe, era fácil dispersar. Ao decorrer dos meses, o número foi diminuindo, ausências foram aumentando e nesse passo saudades passaram a ser sentidas.

Provas, seminários, apostilas… No segundo ano já sobrava cansaço, torcida para o semestre acabar e ansiedade para o diploma chegar. Nem todos os professores eram amados e nem todo amor durou até o altar, mas a verdade é que as letras formaram algumas palavras marcantes: casamento, tormento, alento e muitos arrependimentos.

Prestes do fim, as emoções – tanto boas quanto ruins – tomaram conta dos sobreviventes. Tapetes puxados, beijos que não foram dados, vários arranca-rabos e até abaixo-assinados. Veio então a formatura para potencializar os ânimos e minguar ainda mais os bolsos.

Porém lá pelos últimos momentos, os egos deram sossego e veio a consciência de que um dia sentiríamos falta desse período de aprendizado e coletividade. Seis anos depois e é deprimente se dá conta de que alguns nomes foram esquecidos, perceber que há amigos com quem você nunca mais conversou, é como se não os tivessem conhecido. A vida mudou e os caminhos levaram os ventos para direções opostas.

Bem diferente do final do ensino médio, o fim da faculdade não nos dá tempo de manter contato. As forças e o foco estão agora em conseguir lugar no mercado de trabalho, correr atrás do retorno financeiro e lidar com a competitividade interna. Ele já tem um bom emprego, ela já fez um bom casamento. O pós-universidade é uma guerra fria que travamos com nós mesmo, flagelando-se toda vez que o curriculum é rejeitado, isolando-se quando os grandes feitos não são alcançados.

Assim que a maré abaixa, a ressaca das lembranças nos embriaga. Recordamos das risadas, da pessoa com quem sentávamos ao lado, do lanche compartilhado no intervalo, da ajuda prestada antes da prova, das atividades de horas complementares feitas em conjunto… E aí vem a certeza de que podíamos ter aproveitado mais o meio e se importado menos com o final.

Dedico essa crônica a todos os colegas e professores da faculdade. Vídeo exibido em nossa formatura, música “Say Goodnight Not Goodbye”.


Categorias: Crônicas

Deixe seu comentário

Este artigo não possui comentários