Uma vez estando em Viena, todos manuais e blogs de viagens aconselham tirar um dia para fazer um bate-volta à Bratislava, capital da Eslováquia (ex-Thecoslovaquia), que fica apenas a 64 km da capital austríaca. Preparei meu roteiro para isso, porém ao conhecer Viena comecei a questionar se realmente valia a pena perder um dia numa das cidades mais bonitas da Europa para me aventurar em outra não tão bem conceituada.

Para desencargo de consciência, reservei o quarto dia para fazer o maldito bendito  bate-volta à Bratislava.

Como Chegar

Há três formas de se chegar à Bratislava saindo de Viena. Você pode ir de ônibus pela empresa Eurolines, que é a forma mais barata, por volta de 14 euros.

Pode ir de barco, pelas empresas Twin City Liner ou DDSG Blue Danube, que é a forma mais cara, de 30 a 60 euros.

Ou pode fazer como os europeus e ir de trem, que foi o que eu fiz. A empresa responsável é a ÖBB, a qual dificulta a compra pelo site, mas que você pode usar a página web ao menos para ver os horários e comprar nas máquinas espalhadas pelas estações um ticket promocional chamado “Bratislover“, que lhe dá direito a passar um dia em Bratislava, indo e voltando no horário que quiser, contanto que volte no mesmo dia, pois o bilhete começa a valer quando o fiscal do trem lhe faz um furo. O bilhete custa 15 euros.

Estações e Perrengue

Como visto no site, resolvi que sairia da estação Wien Meidling e desembarcaria na estação Bratislava Hlavná Stanica (também conhecida pela abreviação hl.st.) que é a principal da cidade e a mais próxima do centro histórico.

Acontece que eu me atrasei e perdi o trem em direção à hl.st, dessa forma, decidi pegar o próximo que me deixaria na estação Bratislava-Petrzalka, a qual é um pouco mais longe do centro, mas que de lá eu poderia pegar um coletivo até a parte histórica da cidade.

Pois bem, lá estava eu no trem pensando na morte da bezerra, quando depois de uma hora, o trem parou e não voltou a andar. Achei estranho, mas fiquei lá esperando por quase meia hora. Quando resolvi tentar perguntar o que tinha acontecido, o trem voltou a andar, só que de ré. Percebi então que estava voltando. Ou seja, eu havia chegado, mas como não havia nenhuma placa ou anúncio, eu permaneci no trem até ele começar a regressar à Viena.

Desci então na estação anterior, onde só havia um mendigo e um funcionário, e perguntei por mímica como eu poderia chegar ao centro. O funcionário muito prestativo, falou que eu devia esperar 10 minutos, que um novo trem iria passar e aí quando eu chegasse novamente na estação Petrzalka, era só pegar o bus 93.

eslováquia trem

A deserta estação anterior à Petrzalka.

bratislava estação

Apenas eu e o mendigo esperando o trem.

Em 15 minutos, eu já estava novamente na estação que devia estar, mas não achei o bus 93. Foi quando uma eslovaca muito bonita e solícita, explicou-me por mímica que o 93 não ia mais para o centro, que eu deveria pegar o bus 88 que ficava para a direção em que ela estava apontando.

Como eu não conseguia ver o ponto de ônibus que ela me indicava, gentilmente a loira caminhou comigo cerca de 500 metros e me deixou no ponto que nada mais era que uma placa minúscula numa calçada estreita de uma ponte. Depois de muito agradecer, logo passou o 88, que me custou 1,20 euro.

Rodoviária e Castelo de Bratislava

A essa altura eu já estava bem decepcionado com a cidade. Nem pareia que eu estava na Europa tamanha a desorganização. E a má impressão aumentou ainda mais quando o ônibus me deixou na rodoviária próxima ao centro. Acredite se quiser, a rodoviária ficava literalmente debaixo da ponte e com direito a típicas pinturas de viaduto.

rodoviária de bratislava

Única rodoviária do mundo que fica debaixo da ponte.

arte grafite europa

Arte na rodoviária-viaduto.

Comecei a andar em direção ao centro histórico, mas logo vi que o Castelo de Bratislava, principal atração da cidade, ficava do outro lado da ponte. Então mudei minha rota e comecei a subir a ladeira que dava para o tal castelo.

restaurante bratislava

Gostei da cara dos restaurantes da ladeira.

entrada do castelo de bratislava

Entrada de pedra do castelo.

Muito cansado pelos perrengues e pela ladeira, enfim alcancei o castelo, de onde se tem uma quase bela visão do rio Danúbio, da muralha e do centro histórico.

do danubio

Danúbio, muralha e ponte.

igreja bratislava

Centro histórico visto do alto.

Após contemplar a cidade do alto, comprei a entrada para o castelo que custou 6 euros.

castelo de Bratislava

Castelo de Bratislava.

castle bratislavia

Entrada do castelo.

Achei a fachada do castelo muito bonita e bem cuidada, na realidade fazia pouco tempo que sua arquitetura fora restaurada. Já ao conhecê-lo por dentro, não gostei muito. Apesar de interessante, cheio de objetos antigos, pareceu-me que na reforma haviam passado massa corrida em todo o canto, descaracterizando assim a aparência histórica.

SAM_5138

Um dos espelhos do castelo.

bratislava catelo

Da janela.

bratislava museu

Peças do museu.

Enquanto andava de sala em sala, o que me chamou mais atenção foi ver que vários funcionários estavam lendo Paulo Coelho. Como eles tinham que ficar sentados na porta o dia inteiro, passavam o tempo com a leitura do escritor brasileiro.

Centro Histórico

Por já está ficando tarde e eu ainda não ter almoçado, resolvi ir logo ao centro procurar algo para comer e vê se Bratislava iria se redimir ou me perder de vez.

SAM_5162

Mozart passou por aqui.

música ru bratislava

Música pelas ruas.

Fazia calor, as ruas estavam em reforma, os preços dos restaurantes eram mais caros do que imaginei. Mas ainda assim, foi possível ver ângulos bonitos do centro.

ruas de bratislava

Ruas estreitas.

torre bratislava

Michael’s Gate.

Apesar de ter lá seu charme, o centro histórico é um ovo e não tem nada de muito impactante ou grandioso. Acho que Bratislava é uma cidade que requer atenção nos detalhes para ser melhor apreciada. E talvez pelo cansaço e pelo perrengue, meu olhar não estava muito afeito a enxergar detalhes. Assim, logo me satisfiz com o que tinha visto do centro e fui almoçar lá pelas 3 da tarde.

Com os preços nas alturas, bem mais caro do que os restaurantes em Praga, praticamente com os mesmos preços de Viena, demorei de encontrar algo acessível. Acabei encontrando uma pizzaria por 11 euros. Mais caro que Roma. Após fazer o pedido, para minha total surpresa, começou a tocar a seguinte música:

Achei uma grande ironia ouvir Danni Carlos na Eslováquia. E não foi só uma música, deixaram tocar o CD inteiro. Nunca pensei que num lugar tão longe, com um idioma impronunciável, eu veria gente lendo Paulo Coelho, ouvindo Danni Carlos e sem conta a quantidade de brasileiros que vi pelas ruas comprando lembrancinhas nas barracas e tirando fotos com as estátuas.

Não fugi do clichê e também tirei fotos com as estátuas, que na minha opinião, é uma das coisas mais legais de Bratislava.

SAM_5177

Estátua na feira de souvenirs.

SAM_5180

Estátua genial.

Achei que não tinha mais nada para ver, ou não estava com ânimo. Queria voltar logo para Viena, então tirei minhas últimas fotos.

Maximiliánova fontána

Maximiliánova fontána.

Palácio de Grassalkovich

Símbolo de “Bratislover”.

A Volta e Mais Perrengue

Para voltar, resolvi que iria pegar o trem na hl.st que é a estação central. Até dava para ir andando do centro até lá, mas como eu estava com pressa e queria tomar o trem das 5, decidi pegar o ônibus que me indicaram. Desta vez, o bus era velho e superlotado. Parecia que estava num transporte coletivo do Equador.

Ao chegar até levei um susto ao ver como a estação central de Bratislava era feia. Pior do que as rodoviárias do interior do Brasil.

estação central de bratislava hl.st.

Esse foi o ângulo da estação mais ajeitado que achei.

Faltando quinze minutos para o trem chegar, comecei a conversar com uma americana que era a diretora do efeitos visuais de filmes como “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis”, “Sherlock Holmes”. Com meu inglês ruim, os 15 minutos passaram rápido e o trem não chegou.

Todos que estavam esperando foram buscar por informações e depois de muita desorganização, um funcionário enfim veio dizer o horário do novo trem. Quando eu ouvi 8:30 da noite, entrei em desespero. Não por medo, pois Viena é uma cidade bem segura, mas é que eu não queria continuar ali até essa hora Eu já estava com ódio de Bratislava.

Conversando agora com um engenheiro alemão (já expliquei como eu dialogo mesmo quando não sei falar o mesmo idioma, rsr). reclamei com ele que o trem ia passar muito tarde e ele me disse que 18:30 não era tão tarde assim. Só então eu fui entender que o funcionário havia dito “eighteen” (18) e eu havia ouvido “eight” (oito).

Fiquei mais aliviado. O trem ainda atrasou um pouco, saiu quase às sete. Justamente no momento que começou a cair uma tempestade, com raios, relâmpagos e trovões.

Foi a primeira vez que considerei a estrutura de uma capital europeia tão ruim quanto muitas da América do Sul. Depois de ver tantos elementos brasileiros, para o bem e para o mau, eu me senti como se tivesse feito um bate-volta ao próprio Brasil.

Dependendo do dia e do tipo de turista, você pode amar Bratislava, mas como blogueiro que relata o que viveu, eu tenho que ser sincero: “Bratishate”.

E se você vai viajar para a Europa, precisará de um seguro. Contrate o seu com a Seguros Promo. Clique no banner e faça o seu orçamento. Use o nosso cupom de desconto de 5%: UZIPORAI5

Ao comprar através do Uzi Por Aí, você estará me ajudando a manter o blog sem pagar absolutamente nada a mais por isso. Obrigado e boa viagem!


Categorias: Eslováquia

Deixe seu comentário

Este artigo não possui comentários