Filme de superação é assim: ou o diretor acerta a mão e faz algo inspirador, ou exagera no açúcar e faz algo terrivelmente clichê, cafona e entediante. É muito fácil errar ao dirigir uma cinebiografia de alguém que conseguiu vencer as dificuldades, basta um passo em falso e toda a humanidade da personagem pode desaparecer, tornando-se uma figura inverossímil.

Na edição do Oscar deste ano há várias produções biográficas de pessoas que por algum motivo se tornaram admiráveis. Desse modo, temos produtos bons e ruins.

Invencível (Unbroken)

Apesar de concorrer em três categorias técnicas, o “Invencível”, dirigido por Angelina Jolie serve como exemplo do que seria um péssimo filme de superação. Depois do promissor “Na Terra do Amor e Ódio“, a mulher de Brad Pitt escorregou feio no seu segundo trabalho como de diretora. É uma pena que uma história tão bonita tenha sido contada da forma mais mastigada e minimalista dos últimos tempos.

Mas eis que para contrabalancear, do outro lado do gênero está o sensacional “A Teoria de Tudo“, filme que concorre nas 5 principais categorias artísticas: Melhor Filme, Ator, Atriz, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora. Sabe-se lá porque não foi nomeado a Melhor Fotografia, pela qual também merecia uma indicação.

Sinopse

Stephen Hawking era um jovem ainda solteiro quando descobriu que sofria de uma doença degenerativa. Desenganado pelos médicos, Stephen viveu muito mais do que a maioria previa. Casou-se, teve filhos e mesmo no estado avançado de sua enfermidade, conseguiu desenvolver e publicar a sua chamada Teoria de Tudo.

Com essa bonita história de vida, o filme poderia parecer auto-ajuda barata de rodoviária, no entanto, o diretor James Marsh nos mostra o seu biografado por um ângulo diferenciado. Ao invés de destacar a força de vontade quase sobrenatural, como geralmente ocorre em produtos desta espécie, Marsh vai trilhar pela introspecção, pela insegurança e ambiguidade presente em todo e qualquer ser humano.

Sem medo de ousar, é por meio da direção que os espectadores são surpreendidos. Às vezes tem-se a impressão de que os quadros, os movimentos de câmera e a edição estão se comportando como se fossem o agitado e abstrato pensar de Stephen.

Eddie Redmayne

Outro grande mérito de “A Teoria de Tudo” está na interpretação detalhista de Eddie Redmayne. Após um desempenho pra lá de deplorável no gritado “Os Miseráveis“, é de se assustar o quanto Redmayne amadureceu como ator, ou talvez seja essa sua atuação prova do quanto uma direção competente faz diferença.

O que mais chama a atenção é observar como ele não se deixa cair na cilada de uma interpretação exagerada e também como consegue manter coerente a personalidade da personagem em todas as fases de sua vida. Sem exageros, é um trabalho que pode ser comparado ao de Daniel Day Lewis em “Meu Pé Esquerdo”.

Stephen Hawking verdadeiro teoria de tudo

O verdadeiro Stephen Hawking e Eddie Redmayne.

Já a sua companheira de cena, Felicity Jones, embora tenha um desempenho plausível, perde-se um pouco no momento de transição em que seu papel passa de uma jovem apaixonada para uma dona de casa cheia de conflitos.

Mas não há o que tire o brilho desta adaptação tão bem conduzida. Assim como a própria Inglaterra , “A Teoria de Tudo” é um filme comedido nos momentos certos, elegante e inventivo. Quando se trata de cinebiografias de superação, o cinema britânico é quase insuperável.

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Categorias: Oscar

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