As indicações para o Oscar 2015 foram oficialmente anunciadas e para a surpresa de muitos, “Foxcatcher – A História que Chocou o Mundo” não se encontra entre os nove nominados a Melhor Filme. No entanto, incoerências da Academia à parte, “Foxcatcher” marca presença em cinco importantes categorias: Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original e Melhor Maquiagem e Cabelo.

Sinopse

Na trama, o milionário John Du Pont é um entusiasta de luta grego-romana que convida os melhores lutadores para viver confortavelmente dentro dos limites de sua imensa propriedade, a fim de oferecer-lhes o melhor treinamento do país. Mark Schultz, campeão olímpico, é um dos primeiros a aceitar a proposta, mas aos poucos, as excentricidades do seu pseudo-treinador começa a desmotivá-lo.

A Direção

Para contar essa verídica história sobre a relação de Du Pont com os irmãos Schultz, o diretor Bennett Miller optou por um caminho perigoso: a estranheza. Se não fosse o péssimo subtítulo nacional, o espectador ficaria boa parte do filme sem saber o que esperar. Isto porque Miller, embora deixe pairando no ar a anunciação de uma possível tragédia, não entrega de bandeja qual é exatamente o gênero de sua película. Por isso, muita atenção para os créditos iniciais.

Caminhando na tênue linha entre um thriller psicológico e uma cinebiografia de superação, o ritmo lento e a indefinição faz deste um filme que certamente não agradará a todos os públicos, principalmente os que vêm o cinema apenas como uma fonte de entretenimento. Mas já para aqueles que não ignoram a linguagem da sétima arte, “Foxcatcher” se apresenta como um projeto subversivo na medida em que transgride a gramática padrão de um suspense naturalista.

Além da corajosa direção, a qual teria grandes chances de levar a estatueta se não estivesse concorrendo com o favorito “Boyhood“, o filme também se diferencia pelo quase imbatível trio de protagonistas e pela maquiagem.

Mark Ruffalo e Channing Tatum

Steven Carell e Mark Ruffalo estão fisicamente irreconhecíveis. Na pele do irmão mais velho de Mark, Rufallo impressiona tanto pela caracterização quando por sua expressão corporal que está, no mínimo, fora de série. Entre os indicados a Melhor Ator Coadjuvante, o único que pode tirar o Oscar de Ruffalo é J.K Simmons por “Whiplash“, como aconteceu no Globo de Ouro.

Os irmãos Schultz da vida Real. Dave e Mark.

Os irmãos Schultz da vida Real. Dave e Mark.

Por sua vez, o intérprete do irmão caçula, Channing Tatum, demonstra seu amadurecimento frente às câmera. De longe esta é a sua melhor performance, provando seu talento para quem ficou em dúvida ao assisti-lo no insosso e entediante “Querido John”.

Steven Carell

Mas a cereja do bolo fica a cargo de Steven Carell dando vida ao já falecido John Du Pont. Muito diferente e ao mesmo tempo muito parecido, Du Pont é uma versão dramática do lendário Michael Scott, personagem de Carell em “The Office“.

Steven Carell e o verdadeiro John Du Pont

Steven Carell e o verdadeiro John Du Pont

Em busca de afirmação e admiração, o milionário gosta de ser visto como mentor, como amigo dos seus lutadores, um líder nato que inspira homens fortes a ganhar medalhas de ouro. Essa semelhança indireta poderia comprometer o trabalho de Carell, porém muito consciente dessa cilada, o ator policia cada movimento para que os momentos de vergonha alheia transmitidos por Du Pont possam ser diferentes da vergonha alheia transmitida por Michael.

É um trabalho digno de Oscar, pena que neste ano a categoria de Melhor Ator – diferente do que acontece com a categoria de Melhor Atriz – está muito forte. Para levar o troféu, Carell teria que superar os favoritos: Michael Keaton (por “Birdman”) e Eddie Redmayne (por “A teoria de tudo”), os quais realmente também estão geniais.

É possível e lamentável que “Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo” ao final vença apenas como Melhor Maquiagem e Cabelo, ou talvez nem isso, pois até aqui a concorrência está bastante difícil, os outros indicados são: “Grande Hotel Budapeste” e “Guardiões das Galáxias”. Em todo o caso, as cinco nomeações já servem para atestar que este é um dos melhores filmes do ano e que merece ser visto por aqueles que gostam do cinema feito como arte e não como produto de supermercado.


Categorias: Cinema, Oscar

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