Há milhares de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, muitos deles tratam acerca do Holocausto Judeu, tema do qual tenho profundo interesse, tanto que cheguei a conhecer o primeiro campo de concentração nazista, fiz de tudo para ir ao Anexo Secreto da Anne Frank e estou sempre indicando cinebiografias de sobreviventes e também produções que ajudam a entender esse triste episódio.

Dentro desse assunto ainda há aquelas fitas que dramatizam a própria guerra em si, como por exemplo: “O Regaste do Soldado Ryan”, “Além da Linha Vermelha”, “Pearl Harbor”… E mais recentemente, podemos ver o despontar de um quase novo subgênero em relação a Segunda Guerra: os filmes de bastidores. Títulos como “A Queda”, “Operação Valquíria”, o fantasioso “Bastardos Inglórios” e até o péssimo “Caçadores de Obras-primas” podem ser considerados parte desta espécie de roteiro que visa revelar os fatos coadjuvantes deste período.

É dentro deste conjunto que “O Jogo da Imitação” se destaca como um dos melhores produtos dos últimos anos, não por acaso está indicado a 8 categorias do Oscar 2015: Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Edição e Melhor Design de Produção.

O biografado protagonista é Alan Turing, criptógrafo responsável por decodificar as mensagens alemãs, ação que ajudou a definir a derrota de Hitler. Porém, assim como a maioria dos gênios, Turing possuía um temperamento dos mais excêntricos. Esnobe, antipático e antissocial, ele precisou aprender a agradar os outros para que pudesse continuar trabalhando na missão de decodificar as mensagens criptografas dos inimigos.

Durante esse processo, o filme vai sendo intercalado com flashbacks que explicam a origem do comportamento arredio de Turing. A grande sacada do diretor Morten Tyldum foi contar essa história como se fosse um enigma a ser resolvido, tal qual o próprio enigma que serve como argumento principal da trama.

Trabalhando com os três tempos misturados: passado, presente e futuro; Morten convida o espectador a decodificar a estranha personalidade do protagonista e também o que ele está escondendo da polícia, dúvida esta lançada na primeira cena e resolvida apenas no último ato.

A edição também parece ousada e criativa, com imagens de arquivo e o espiral temporal, o filme ganha valor autoral. Mas também é verdade que a direção por vezes escorrega. Quase todas as resoluções do enredo seguem por uma estrutura quadrada e quase folhetinesca. Mesmo sendo uma história real, o modo de mostrar tais resoluções poderia ter sido melhor apresentado.

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Keira e Benedict em cena de “O Jogo da Imitação”.

Também a escalação de Keira Knightley por vezes soa equivocada, embora seja uma ótima atriz, seu rosto destoa da dependência familiar que sua personagem possui. No entanto, pouco antes do fim, quando a personagem ressurgi com uma personalidade mais forte, a interpretação se torna bem encaixada e Keira preenche a tela com um quase monólogo que emociona tanto ao público como diegeticamente.

A atuação de Benedict Cumberbatch segura bem a força dramática da trama e, nos poucos momentos em que escorrega, percebe-se que foi mais culpa da direção do que sua. Cumberbatch entrega com competência o que já se espera de um ator do seu porte. A grande surpresa fica mesmo a cargo de Alex Lawther, responsável por interpretar Turing na juventude. Em um flashback em que certa notícia lhe é dada, Lawther dá um show de como corresponder a uma intensa carga dramática.

Provavelmente, assim como ocorre nesta narração de bastidores, “O Jogo da Imitação” seja injustiçado no Oscar. Porém, o importante é que com este filme, justiça foi feita à memória de Alan Turing.


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