Crônica – A Vida Amorosa de Quem Viaja Muito

Crônica – A Vida Amorosa de Quem Viaja Muito

Quem viaja muito é consciente de que o mundo é grande demais para ficar sofrendo por um encosto. O paladar do viajante é viciado em liberdade, então não o peça para se contentar com correntes de glacê, não há possibilidade do estômago se acostumar a doces enjoativos e amargos abusivos.

Quem muito viaja pouco se importa em mudar e recomeçar, pelo contrário, se o tédio chegou à Bélgica,  a Holanda fica do lado. Pelo mundo afora, seja de mochila, de carro ou avião, o que sobra é gente interessante pela trilha. Fica difícil competir, principalmente se você ainda não aprendeu a viver sem pensar no futuro.

O viajante quer o presente, a lua-de-mel no lugar da festa, e antes uma farofa embaixo da Torre Eiffel do que um manjar entre as paredes da cozinha gourmet que teria que pagar passando mais horas preso no escritório. Quem viajar muito nunca será o melhor marido ou a melhor esposa para quem sonha com uma vida de raízes e móveis de madeira maciça.

Manter um relacionamento é penoso quando não se tem o interesse de ao menos se manter no mesmo lugar. É verdade que sem criar limo, cria-se também a solidão, mas isto não é impedimento para quem cruza o oceano, afinal, para o verdadeiro explorador, a solidão é combustível, precisa ser renovada para se ir mais longe.

Com fuso horário, passagem comprada e tempo apertado, o status do Facebook nunca é mudado, mas isto não significa que bocas novas não apareçam. Na fronteira entre Croácia, Bósnia e Montenegro, por exemplo, há grandes chances de não sair no seco. E se não houver oásis no deserto, o que importam as bactérias se as retinas estão maravilhadas com a paisagem?

Encontrar a alma gêmea de certo seria ótimo, mas o único desespero de quem já passou por mares dantes nunca navegados, é o de ter que ficar em casa sendo o planeta tão vasto. Há outros tipos de amor pelo caminho, outras vivências que são apenas permitidas para os viajantes solitários, isto porque a regra é simples: não se pode ter tudo.

Em meio a perdas e ganhos, o nômade se conforma com o fato de possuir uma vida amorosa complicada, afinal, em contrata partida, são poucos os que têm o privilégio de ter uma vida tão  livre e leve quanto o vento.

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