Viajei à Polônia com o objetivo de conhecer Auschwitz, este Campo de Concentração Nazista que de certa maneira mudou o mundo, pois até então o lado negro da humanidade nunca havia tido uma personificação arquitetônica tão brutal.

Auschwitz foi uma fábrica de morte, a concretização demoníaca do preconceito, e é justamente por isso, que embora seja um lugar horrível, é necessário visitá-lo, vê-lo com os seus próprios olhos para assim evitar que viva em nós sequer 1% dos sentimentos de ódio que o construíram.

Como Chegar em Auschwitz

Em Varsóvia, peguei um trem com destino a Cracóvia. Por 3 horas e meia, fiz o mesmo percurso que milhares de judeus fizeram, com a diferença de que os trens em que estes se encontravam não tinham nenhum conforto, tanto que os doentes morriam ainda durante a viagem.

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Estando em Cracóvia, indico contratar o tour com a agência Get Your Guide. O day tour que a empresa me concedeu como cortesia custa a partir de 23,93 euros (o preço varia de acordo com o horário e o idioma do guia), e realmente vale a pena, já que o “passeio” dura 7 horas. Clique no banner e contrate o seu.

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Imprima o ticket após efetuar o pagamento e espere pela Van na entrada do Centro Histórico de Cracóvia, rua Siena 17.

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Conhecendo Auschwitz

A viagem até o Campo de Concentração leva 1 hora e meia, pois a estrada é de mão única. Algo que me surpreendeu no percurso foi ver um parque de diversões a apenas 16 km do matadouro de humanos criado por Hitler. Mais irônico impossível.

Faltando 3 km, pegamos engarrafamento, a área, diferente do que se pode pensar, tem muitas fábricas ao redor. No poderoso livro “É Isto um Homem?”, do escrito Primo Levi, um judeu italiano que sobreviveu a Auschwitz, conta-se que já havia indústria por perto naquela época, inclusive a fábrica de panelas do senhor Schindler, o qual foi interpretado no cinema por Liam Neeson.

Muitos prisioneiros saiam de manhã do campo para trabalhar nestas empresas e regressavam antes de escurecer. Por isso que a lista de Schindler acabou salvando muitas vidas, pois quem estava nela como trabalhador não era mandado para a câmera de gás. E por falar neste filme, o diretor Steven Spielberg é um dos responsáveis por manter o lugar aberto à visitação.

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A entrada é gratuita, mas caso não contrate um tour, você precisa agendar, pois é MUITA gente que o campo recebe por dia, e sem a companhia de um guia você acaba ficando perdido, pois o lugar é realmente grande.

A visita começa no portão (foto de capa) onde se encontra o provérbio “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta), esta frase está em todos os campos nazistas, como por exemplo, no de Dachau, o qual eu também visitei, clique aqui para ver.

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Papa Francisco saindo de Auschwitz. Fotografia exposta em um dos parques de Cracóvia.

Logo atravessando o portão está o espaço onde ficava a banda de músicos de Auschwitz. Tratavam-se de prisioneiros judeus que tocavam todas as manhãs e tardes enquanto outros prisioneiros se reuniam para a contagem. Sendo um músico da banda, o indivíduo recebia mais comida e demorava mais de ser condenado à morte.

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Turistas no espaço exato da banda.

Auschwitz possuía muitos blocos, no 21 funcionava o hospital, mas era muito perigoso um judeu querer ir ao médico, pois se não fosse um problema externo e de cura rápida, a sua entrada no hospital era negada, o que significava câmera de gás ou uma surra para deixar de corpo mole e ir trabalhar.

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O bloco 10 era onde ocorriam as experiências científicas diabólicas do Doutor Mengele com cobaias humanas, especialmente crianças, bebês, idosos e quem mais não podia trabalhar. Neste campo reservado para homens, havia um único bloco de mulheres, que eram as prisioneiras prostitutas, a maioria delas trazidas da própria Alemanha, já que Hitler repudiava quem pudesse contaminar com doenças a raça ariana.

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Um dos blocos foi separado pela curadoria do museu para expor as provas de que o holocausto aconteceu de verdade, afinal, vira e mexe alguém tenta desmentir que houve o genocídio. As provas, no entanto, são irrefutáveis.

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8 mil pares de sapatos estão expostos numa vitrine imensa de duas paredes. Essa quantidade representa o número mínimo de pessoas – 90% judeus – que morriam em apenas um dia, ou seja, NO MÍNIMO 8 MIL PESSOAS ERAM ASSASSINADAS POR DIA.

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Além dos sapatos, o prisioneiros perdiam também os seus óculos…

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…As suas ferramentas de higiene pessoal…

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Obviamente, as malas com todos os demais pertences…

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E também o cabelo. Especialmente os cabelos das mulheres se tornaram matéria prima para a produção têxtil, deles se faziam roupas, tapetes, colchões…

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Eram sacos e mais sacos de cabelo. Não pude tirar melhores fotos e nem muitas, porque o lugar pede compostura, mas a quantidade exposta é imensa, montanhas de cabelo.

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Até o nome próprio, eles perdiam. Passavam a ser chamados pelo número  de matrícula, a qual era tatuada no seu braço, tal qual um gado. A comida era uma ração de pão e de sopa, todos viviam famintos, motivo pelo qual todos viravam ladrões, roubavam entre si mesmos, animais que já não conhecem civilidade. As necessidades fisiológicas também desempenhavam papel nesta conversão a animal. Como não havia muitas privadas, aliviam-se em baldes ou encaravam a péssima higiene dos banheiros.

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Poucos tinham coragem de se lavar, pois a água era fria, turva, não havia privacidade, sabão e nem chuveiro. Ironicamente, o que havia eram pinturas de gatos se banhando, cavalos na água.

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Na câmera de gás, eram jogados do teto, um gás em forma de cristal chamado Zyklon B.

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E para não deixar dúvida de que foram usados, estão expostas também embalagens vazias.

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Em outro bloco, vemos retratos de negativos originais das vítimas. Os alemães registravam todas as chegadas até meados de 1943, depois nem perdiam mais tempo com isto, principalmente quando a guerra parecia perdida. A ordem era matar o máximo que pudesse. Em baixo da foto, encontra-se a data de entrada e de ‘saída”. Alguns nem sequer completavam 1 mês de vida no campo.

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Além das câmeras de gás, muitos morriam por doença (como Anne Frank), outros enforcados frente ao público, geralmente inimigos de guerra…

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Outros eram fuzilados, havia o muro em um dos blocos, apenas para isto.

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Não tão raramente, alguns cometiam suicídio se atirando na cerca elétrica…

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…Mais alguns podiam sendo alvejados por tiros das torres conforme o humor dos nazistas.

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Torre de “segurança”.

E no fundo do campo, perto de onde viviam felizes as esposas dos sargentos da S.S de alta patente, estava a câmera de gás pequena.

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Os novatos entravam achando que tomariam banho, era isso que lhes diziam. Numa antessala, despiam-se e memorizavam o número do cabide em que deixaram a roupa, achando que voltariam para buscar. Uma vez trancados, do teto era jogado o gás.

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Quando o guia disse que essa era a câmera pequena, eu fiquei de queixo caído, sem falar na má sensação que já é entrar nesse lugar. Bem do lado, já se encontram os crematórios.

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Se a quantidade de mortos era maior do que o suportado pelos fornos, os corpos eram levados pelos próprios judeus a uma área externa e queimados ao ar livre.

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Tudo  isto que foi mostrado aqui é apenas uma parte do complexo, poucos km de distância está o campo de Birkenau, no qual vivia uma média de 22 mil pessoas, então juntando com a população do campo de Auschwitz era de fato uma cidade de porte médio, todos esperando a sua vez de morrer. O número de assassinatos passa de 1 milhão e cem mil.

Na segunda parte, mostrarei Birkenau, o campo onde chegavam os trens e ficavam as mulheres. Siga-nos no Facebook para acompanhar esse tour triste, porém necessário.


Categorias: Polônia

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  1. GabrielaResponder

    Adorei, quero mais dicas da tua viagem a Polônia. Estudo bastante sobre a WWII e o Holocausto e pretendo ir no final de 2018 conhecer o Auschwitz I e Auschwitz Birkenau.

    • Uziel MoreiraResponder

      Vou fazer um post sobre o Gueto de Varsóvia, encontrei uma parte que não foi destruída e embora esteja em um mapinha que me deram lá, quase ninguém sabe, tanto que eu era a única pessoa que estava lá. rsrs. Quanto a Auschwitz, pode contratar esse tour que foi a melhor opção para fazer os dois. E se puder comprar o seu seguro por aqui e reservar a hospedagem agradeço, qualquer dúvida vai perguntando. Abraços.