Séries – Room 104: O Black Mirror da HBO

Séries – Room 104: O Black Mirror da HBO

A HBO, emissora de grandes séries como Game of Thrones, e minisséries badaladas como Big Little Lies, resolveu apostar em um formado que vem ganhando destaque nos últimos tempos: antologias. Essa moda retornou com força total graças a Black Mirror, na qual cada episódio possui elenco e enredo totalmente diferente do anterior.

Room 104 segue esta estrutura e adiciona a premissa de que todas as narrativas se passam no mesmo quarto de hotel, o que acaba exigindo muito talento por parte dos roteiristas, afinal, se já deve ser difícil criar 10 argumentos originais por temporada, imagine tendo como imposição um cenário único.

Nos 7 episódios que já assisti até aqui, é mais do que perceptível a dificuldade em cumprir a missão de forma digna. A qualidade das histórias e de sua execução em termos audiovisuais é bastante irregular.

Episódios de 1 a 7

No episódio piloto, por exemplo, há a tentativa de manipular o espectador a fim de que o desfecho seja impactante, porém o objetivo não se concretiza porque a manipulação é arquitetada de forma grosseira. Explicando sem dar spoilers: força-se uma situação A para enganar o público que o resultado é B quando na verdade é C. Ocorre que a forçação é tanta, que o resultado C – ao invés de uma surpresa – torna-se uma incoerência.

room 104 analise

Já o 2º episódio (foto de capa), apresenta uma trama mais simples e ao mesmo tempo mais redonda. Não há acontecimentos impactantes, entretanto, tudo faz sentido sem ser previsível na divertida crônica de um entregador de pizza assediado por um estranho casal.

O programa a seguir traz uma digressão sobre religião que se perde como crítica e não empolga como entretenimento. Totalmente esquecível.

room 104 critica

No 4º  da season, é usado um recurso que reduz a ação: a dúvida se o que estamos vendo é real ou imaginação da personagem, um homem atormentado pela culpa. Trata-se de uma narrativa introspectiva que não sai do lugar. Apesar disso, não achei ruim, mas também não é bem um maravilha. Com diria Glória Pires: médio.

room 104 entendendo

O episódio 5, foi o que mais gostei até aqui. Passado em 1997, um jovem tenta ensinar a mãe por telefone a lhe enviar um arquivo por e-mail. O que segue daí é um exercício de diálogos que se assemelha ao tear acumulativo dos grandes textos teatrais. Ou seja, o mérito é o desenvolvimento textual, mas isto não interessa a todo o mundo, então é possível que a maioria não tenha gostado.

room 1x5 104

Chegando à sexta exibição da série, novamente preciso recorrer aos bordões de Glória Pires: não sou capaz de opinar. É uma mulher de meia-idade dançando com uma mais jovem, a qual seria o seu reflexo. Há aí muito simbolismo, porém falta vontade de decodificá-lo diante os 20 minutos em que estas duas doidas ficam rodando pelo quarto numa coreografia infinita, e digna de uma aula de teatro experimental ministrada por um professor maconhado.

room 106 episodio episode 6 critica

E findando, o 7º episódio foca em dois adolescentes mórmons sexualmente confusos. Lá para o terceiro ato, algo grave acontece, dando a entender que se trata de um conto escuro, porém, logo o espectador se desengana. É quase uma pegadinha do Malandro.

Em suma, Room 104 mira na estrutura e na profundidade de Black Mirror, mas acerta numa montanha-russa com mais baixos que alto, pelo menos até o momento. Vamos aguardar os próximos hóspedes.

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