Séries – This is Us: Autoajuda com Carisma

Séries – This is Us: Autoajuda com Carisma

Mesmo com milhares de livros do doutorado para ler, não resisti e fiz uma maratona de This is Us, série dramática com pitadas de humor que me fisgou logo nos primeiros minutos. A história é sobre o passado e o presente de uma família constituída pelos pais Jack e Rebecca, e os três filhos nascidos no mesmo dia: Kevin, Kate e Randall, este último adotado ainda na maternidade.

Os temas abordados no show são os mais diversos: luto, fama, obesidade, problemas financeiros, crise de meia idade, homossexualidade, adoção, racismo, câncer, vida profissional versus amorosa, tudo isso e muito mais envoltos em um tom de autoajuda que seria desastroso se não fosse pelo elenco e a feliz construção de personagens cheios de carisma.

THIS IS US -- "The Trip" Episode 109 -- Pictured: (l-r) Sterling K. Brown as Randall, Chrissy Metz as Kate, Justin Hartley as Kevin -- (Photo by: Ron Batzdorff/NBC)

Os irmãos Randall, Kate e Kevin.

Fazia tempo que eu não via um seriado com um número tão grande de figuras queridas. Interpretado por Milo Ventimiglia (foto de capa), o patriarca da família é um daqueles protagonistas de bom coração, trabalhador honesto que ama os filhos, a esposa e está sempre a postos para ajudar a quem precisa; a diferença aqui é que Ventimiglia impede que a personagem caia no clichê, no aborrecimento ou na inverossimilhança. É impossível não simpatizar com o cara.

Já o casal amado pelos espectadores diz respeito à Kate e Toby, dois obesos de química genuína. A gente já começa a torcer por eles desde a primeira cena juntos, a qual ocorre numa reunião ao estilo alcoólicos anônimos, só que para pessoas acima do peso. A sintonia entre eles é tanta que nem os roteiristas conseguiram criar obstáculos capazes de dificultar a relação, como geralmente acontece em núcleos de comédia romântica.

Outro que capturou o afeto da audiência foi William, personagem secundário que cresceu muito mais que qualquer um podia prever. Ele abandonou Randall ainda recém-nascido no quartel de bombeiros, e agora com câncer terminal é encontrado pelo filho, tendo assim a chance de se redimir, coisa que o faz de modo excepcional. Inclusive o episódio 16 da temporada 1, totalmente centrado nele, é a obra-prima do programa. Merecidamente, o ator Ron Cephas Jones que dá vida ao William – já velho – foi indicado ao Emmy.

this is us william

Mas quem levou o prêmio para casa foi Sterling K. Brown, interprete do Randall adulto,  o que ao meu foi imerecido, pois sua personagem juntamente com o seu irmão Kevin na fase adulta são um dos pontos fracos da série, não por culpa dos atores, mas sim por deslizes de roteiro que os fazem variar muito de personalidade comprometendo assim o desempenho cênico.

Já o verdadeiro erro de escalação foi ter mantido a atriz Mandy Moore, que faz o papel da matriarca jovem, também na fase idosa. Embora a maquiagem de envelhecimento não seja ruim, ela não convence como uma mulher acima dos 60 anos.

No mais, This is Us às vezes faz autoajuda de maneira rasa e atropelada, porém nenhum dos seus pecados é maior do que seus acertos. Não é uma série perfeita, mas quem começa assistir dificilmente conseguirá parar, afinal, carisma não se explica. Termino pedindo palmas e atenção para a trilha sonora que vai de Labi Siffre com Watch Me à originalíssima You Can  Always Come Back to This.

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