TV – As Diferenças Entre as Aberturas de Novelas da Globo e da Televisa

TV – As Diferenças Entre as Aberturas de Novelas da Globo e da Televisa

Num dos capítulos da minha dissertação de mestrado sobre processos intersemióticos, mais especificamente sobre a adaptação de uma obra escrita para o cinema e a TV, defendo a ideia de que as aberturas de novelas funcionam como uma pré-informação do que veremos a seguir, assim como a capa de um livro tem a função de nos preparar para a leitura do mesmo (pag 59, clique aqui para ler).

Analisando então as aberturas como paratexto de um produto, pude observar características interessantes nas diferenças das vinhetas de entrada que se costumam fazer no Brasil e as que são feitas pela Televisa no México.

A concepção das aberturas da Globo, por exemplo, geralmente se dá pelo mote ideológico, contextual ou social da história, entregando assim muito pouco sobre os acontecimentos da trama. Às vezes é preciso até mesmo esforço para assimilar o que a abertura tem a ver com a novela.

Já a Televisa toma o caminho oposto, o da objetividade. Geralmente as vinhetas contam a sinopse, mostram a personalidade e as motivações das personagens, anteveem as reviravoltas do enredo… Além disso, há aberturas em que as músicas são feitas por encomenda para reafirmar o resumo do que já estamos vendo.

A trilogia das Marias protagonizada por Thalia é um exemplo dessa redundância característica. Em Maria do Bairro temos um caso extremo, tanto a música quanto as imagens da abertura nos contam o que irá acontecer, e em alguns momentos os versos do tema musical ainda são representados à risca, como quando ela canta “de su barrio querido se fué” e mostra então a personagem indo embora do seu bairro.

Faz parte da Teoria da Adaptação o estudo de algo que é popularmente chamado de: o prazer do público pela repetição modificada. Esse padrão de aberturas da Televisa reflete então o quanto as produções da empresa estão baseadas sobre o prazer pela repetição, não por acaso quase todas as novelas atualmente por lá se tratam de remakes.

Falar sobre os efeitos de tal posicionamento requer um estudo mais aprofundado, o qual não fiz. Mas se fosse para opinar diria que ao se apoiar inteiramente na repetição modificada, a Televisa tem subestimado o seu público, tratando-o inclusive como se fosse incapaz de pensar.

Acredito que os funcionários são obrigados a obedecer tal política, e é por isso que me chama a atenção quando algum dos produtores inventa de dar um sopro artístico às aberturas. Por exemplo, embora precisem resumir a sinopse logo de entrada, há algumas vinhetas que são gravadas com a ideia de plano-sequência, isto é, uma cena (aparentemente) sem cortes, como vimos em O Privilégio de Amar.

É verdade que o resultado dessas vinhetas com aparentes planos-sequências pode não ser tão impactante como as que são cheias de cortes. É o caso de Feridas de Amor que nem mesmo o cenário das pirâmides de Teotihuacan ajudou.

Já na abertura de Sortilégio o que estragou foram as expressões ao estilo simulação de programas religiosos da madrugada. Mas pelo menos não pode ser acusada de não ter tentado se distanciar da repetição.

Com estas observações não quero dizer que as aberturas em formato de clip cheio de spoilers não tenham o seu valor, inclusive considero a entrada de A Usurpadora uma das mais bonitas de todos os tempos, dá um banho em muitas Made In Globo. Porém de todo modo, fica aqui registrada uma crítica sobre a preguiça da Televisa.

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