Séries e Literatura – Alias Grace: O Melhor Roteiro da Netflix

Séries e Literatura – Alias Grace: O Melhor Roteiro da Netflix

Parece que 2017 é o ano da escritora Margareth Atwood. Em abril, o serviço de streaming Hulu lançou The Handmaid’s Tale, série baseada em seu romance homônimo de 1985. Aclamada pela crítica, a produção venceu 8 Emmys, incluindo o de melhor série dramática, melhor roteiro e melhor atriz.

Chegou novembro e foi a vez da Netflix também estrear a sua adaptação de uma obra de Atwood, neste caso, Alias Grace, livro publicado pela primeira vez em 1996. Em ambas histórias, a protagonista se trata de uma criada, e as semelhanças não param por aí, entre os muitos elementos comuns às duas novelas, destaca-se o discurso de denuncia a respeito do ingrato lugar que a mulher ocupa no mundo.

LOS ANGELES, CA - SEPTEMBER 17: Actor Elisabeth Moss accepts Outstanding Lead Actress in a Drama Series for 'The Handmaid's Tale' onstage during the 69th Annual Primetime Emmy Awards at Microsoft Theater on September 17, 2017 in Los Angeles, California. (Photo by Kevin Winter/Getty Images)

Elisabeth Moss, vencedora do Emmy 2017 de Melhor Atriz por The Handmaid’s Tale.

Para o bem e para o mal, Margareth ficou taxada como uma autora feminista, fama esta que lhe rende preconceitos e muitas ressalvas por parte do público leitor. É verdade que ela defende em seus escritos uma revisão das questões de gênero, no entanto, faz isto através de uma competência literária de dar gosto. Depois que morrer, provavelmente, será alçada ao patamar de Virginia Woolf, Jane Austen, Clarice Linspector, etc.

Devido então a essa reputação que a precede e ao fato de alguns episódios terem sido dirigidos por mulheres, criou-se em volta da série The Handmaid’s Tale um estigma panfletário bem ao estilo “feminazi”, como se o principal fosse a bandeira que levanta e não o seu conteúdo e modo de expressão.

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Sarah Gadon como Alias Grace.

Felizmente, Alias Grace da Netflix não sofre do mesmo mau, pois embora também seja pró-feminista, prega sua ideologia de forma mais artística e menos óbvia. Apesar de não ter lido o texto original, o que se vê na tela é  um roteiro polifônico, cheio de camadas, e tão indecifrável quanto a literatura de um Machado de Assis. Não se sabe se o que estamos a ver é real, ou a versão conveniente de alguma personagem.

A roteirista titular é ninguém menos que Sarah Polley, mais conhecida pelo seu trabalho como atriz no excelente filme: A Vida Secreta das Palavras. Bastante empenhada em acertar, Polley buscou supervisão da própria Margareth Atwood, que inclusive é creditada na abertura do programa.

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Anna Paquin, uma das atrizes mais jovens a ganhar o Oscar, como Nancy, a governanta.

O resultado de tal parceria é realmente impecável. Diálogos, ritmo, fotografia, trilha sonora, interpretações… Nada fica a dever à adaptação da Hulu, pelo contrário, inacreditavelmente é até melhor. Claro que é preciso ter em mente que estamos falando de uma minissérie de apenas 6 capítulos, enquanto “The Handmaid’s” possui 10 episódios e mais uma temporada confirmada para 2018.

De toda maneira, como a comparação é inevitável, saiba que se gostou da produção da Hulu, ficará hipnotizado para descobrir se Alias Grace é inocente ou culpada pela morte de seu patrão e da governanta. Mas já aviso, melhor do que saber como termina, será a experiência de testemunhar a riqueza literária convertida em imagens.

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