Quando eu era criança/adolescente e alguém chegava dizendo que havia me pegado no colo, mentalmente eu pensava: e para quê tá me dizendo isto?! Simplesmente não conseguia compreender o que motivava o indivíduo a compartilhar tal informação. Também não sabia ao certo o que eu deveria responder ou como deveria reagir. Na dúvida, ao fim, apenas dava um sorriso e soltava um “hum” anasalado.

Hoje, no entanto, para pagar com a língua, não apenas entendo o porquê do bendito comentário como também já me apanhei a ponto de executá-lo. Dia desses vi no Facebook, a foto do filho de uma amiga – da qual inclusive fui padrinho de casamento – indo para a escola com uniforme, lancheira e tudo que tem direito. Inevitavelmente, pensei: nossa, segurei esse menino bebê e olha o tamanho que já tá.

Na realidade, está cada vez mais difícil entrar no Face e não se sentir um velho. Amigos de infância comemorando o nascimento do segundo filho; amigas do ensino fundamental sendo mães emancipadas; e para completar, até alunos meus do ensino médio já apareceram na timeline com fotos na maternidade, não por acaso, recordistas de likes.

“Agrava-se” o quadro se falarmos dos sobrinhos que tenho, ao total são quatro, ou seja, a expressão “ter ficado pra tio” nunca esteve tão próxima como agora. Por sorte, ao contrário da maioria, não me sinto passado para trás, talvez o peso seja maior para as mulheres. Segundo dados inventados por mim, 8 de cada 10 mulheres têm legítima vocação para ser mãe, enquanto apenas 3 entre 10 homens têm real vocação para ser pai. Acho que faço parte dos 7.

Mas voltando ao cerne da crônica, falemos do que realmente motiva o famigerado “te peguei no colo quando você era bebê”. Embora pareça uma frase destinada a um receptor, na verdade, e inconscientemente, trata-se de uma mensagem do locutor para ele mesmo. É uma forma subliminar de nos acostumar com a própria finitude, dar-nos conta que o tempo está passando e que, portanto, é necessário viver.

Para quem ainda não é pai/mãe, ou nem sequer sabe se um dia gostaria de ser, não se preocupe, as fotos dos filhos dos amigos no Facebook farão você encarar o irremediável: o tempo passa para todos. Aproveite cada segundo!


Categorias: Crônicas

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